Este percurso foi o pretexto escolhido para no fim jantarmos
no restaurante Maria Rita em Romeu.
No track CCP Quadrassal -P9 Preto com 58km e 1735+ de
acumulado não conseguiríamos chegar a horas do almoço e teríamos de esperar
muito tempo para o jantar. Andamos a pesquisar se apontávamos as bikes para a
Serra de Bornes, mas só aparecia alcatrão, optamos por esticar o percurso até
Macedo de Cavaleiros.
Rocha, Pedro Faria, PedroS e Miguel Martins ligavam o GPS
para Vale do Lobo Mirandela para o centro de BTT de Quadrassal.
Estacionamos os carros e mudamos de assento do carro para
selim das bikes, às 9:00h já andávamos com o nevoeiro como companhia. 8km e
tivemos de fazer uma inversão de marcha, um ribeiro maior sem ponto de
atravessamento sem nos molhar e ainda estamos em fevereiro. Um ajuste em
alcatrão até à Barragem de Vale de Madeiro, quando voltamos ao track fizemos a
ligação até onde o ribeiro não nos deixou atravessar, porque track é track.
Apreciamos a barragem para depois entrar nos trilhos
decorados com sobreiros em trajes menores e os apontamentos de verdes
tornavam-se predominantes em algumas zonas.
O percurso era muito bonito e divertido sem partes chatas,
só o acréscimo que colocamos é que foi insipido, não veio acrescentar grande
coisa, só km e acumulado, mas se não o fizéssemos não sabíamos.
Ao passar por Romeu, a aldeia do restaurante Maria Rita, fiz
um voto de abstinência e deixei de comer barras e essas coisas doces, só bebia
água para me guardar para a festança.
Continuávamos a passar por arvores grandiosas, umas
carregadas de líquen, este musgo só nasce onde o ar é puro. Estávamos em boa
zona.
De Romeu até ao centro de BTT, ainda eram 13km de muitos
trilhos rápidos e curtas subidas que se fizeram num instante. Terminávamos
pelas 16.40h. Lavar as bikes e tomar banho no centro de BTT por 0€, excelentes
condições.
Depois foi procurar algum tasco e esperar pelo jantar, o que
foi uma grande imbróglio, todos os que vimos não tinham nada para comer ou
estavam fechados e só abriam às 19:00h. Ainda fomos a três, mas não tivemos
sorte, ligávamos à Maria Rita e eles só abriam as portas às 20:00h. Sem ter o
que fazer, fomos matando o tempo em alongamentos e faladura.
Olhávamos para o relógio a cada 5 minutos até às 20:00h,
depois foi entrar no ambiente da degustação e conforto da lareira. Que belo dia
passamos à volta da bike e da mesa.
O nosso passeio de Reis realiza-se no primeiro domingo a
seguir ao dia de Reis.
Rocha, Pedro Faria, PedroS e Rui, foram os kedas que se
apresentaram nesta nossa tradição.
Como tem vindo sendo hábito, o nosso ponto de encontro é na
pastelaria/padaria Xilas, pelas 8.30h
O Bolo Rei foi patrocinado pela pastelaria/padaria Xilas, o
Vinho do Porto foi patrocinado pelo Rui, ao todo 1l de Vinho do Porto para 4.
Quando chego ao ponto de encontro vejo o Rui em formato
Carlos Pereira e Joel com a bike de patas para cima a ver qual o defeito que o
novo canhão tinha.
Ao que parece quando acordou, a bateria não tinha carregado
o suficiente e ele já estava todo stressado que não dava para continuar. Nós
ainda tentamos dizer que dava e que tinha bateria suficiente, fazíamos um
passeio curto. Ele ainda arriscou em 2km e desistiu, ainda não tem confiança
nas energias verdes.
O que inicialmente era para quatro ficou para três…
No topo do monte Penedo das Letras, foi o ponto escolhido
para o piquenique de Reis, para os três foi comer Bolo Rei até empurrar com o
dedo.
O dia não se ia esperar outra coisa além de chuva e chuva.
Os únicos BTTistas que mantiveram a pedalada em espirito natalício foram Rocha,
Pedro Faria e PedroS que ainda sabem nadar e a pele é impermeável, a bike é de
ferro e não se dissolve.
O Rocha tinha arranjado uma elétrica para outro kedas, mas
nem isso os demoveu de sair da cama. Fui eu montado na elétrica.
Neste dia costumámos sair do concelho e rumar para outras
paragens, mas como o tempo estava fraco e a adesão foi curta andamos no nosso
quintal e fomos até ao Sameiro.
Saímos em formato domingueira, subimos para o monte pela
encosta de São Martinho, Sete Caminhos e Pedreiras. Muitas charcas e as
descidas com as contínuas chuvas iam mudando o piso e escavando mais o terreno
com muitos regos cheios de água, nem conseguíamos ver a profundidade do mesmo.
Todos os trilhos eram novidade.
Chegamos ao Sameiro demos a volta para não arrefecer e
continuar a partir pedra nas subidas e nas descidas, nem dava vontade de comer,
guardávamos para o jantar de Natal.
Com o piso sempre duro ainda apontamos para o Penedo das
Letras, mas a curta bateria da bike que estava montado mandou-me pedalar
sozinho, viramos a cabeça ao prego e acartei os 25kg até casa. Acabamos com
59km com 1600+
À noite no jantar, já estava mais composto e já se viam mais
indivíduos com cara de fome, Carlos Pereira, Tó, Mendes, Locas, Rocha, Pedro
Faria, PedroS e Joel. O Jantar foi na Adega Regional Santa Filomena.
A conversa rodou à volta da loucura e das alucinações de
cada um, e claro com as promessas que um dia andarão outra vez de triciclo. O
que interessa é que nos continuemos a ver e aturar.
Um percurso na terra fria trilhado pela raia fronteiriça.
Arraiamos local na aldeia de Gestosa de Lomba onde ficamos hospedados. Para
fazer as refeições não havia nada, tínhamos de fazer 10km para jantar numa
aldeia vizinha, Vilar da Lomba. Nesta zona as aldeias acabavam todas em Lomba.
Dia 1 de dezembro, sexta-feira
Rocha, Pedro Faria, PedroS e Miguel Martins chegavam na
sexta-feira com jantar marcado no café “Já Está” em Vilar da Lomba, onde fomos
muito bem servidos. Depois lá fomos para a primeira aventura do fim de semana,
descobrir qual a casa onde iriamos ficar, a nossa cicerone não atendia o
telemóvel. Só sabíamos que a lareira estava acesa à nossa chegada e a chave
estava na porta. Tudo bem que a aldeia era pequena, mas não queríamos levar no
corpo se não acertássemos na casa ou sermos atacados por algum canídeo a
proteger a sua propriedade.
Lá andávamos nós a espreitar as casas com uma chave na porta
e com a lareira acesa, foi um misto de caça ao tesouro e um nervoso miudinho do
que nos podia esperar, o que nos podia acontecer depois de meter a mão na
maçaneta da porta, este simples jogo demorou uns 45 minutos a 1 hora com um
frio de partir as orelhas.
Quando acertamos na casa a temperatura mudou para melhor, só
o crepitar da lareira já deixava conforto. Levamos uns “cobertores extras” para
passar a noite.
No rés-do-chão estava-se mesmo bem, mas no piso 1 e
principalmente no piso 2 que eram umas águas furtadas a humidade escorria nas
paredes e os cobertores pareciam que estavam orvalhados. Ia ser uma bela
noiteeee.
Dia 2 de dezembro, sábado
Acordamos cedo para ver o que os trilhos nos iam
proporcionar, 8:30h já pedalávamos para aquecer e as sombras atiravam o
mercúrio do termómetro ainda mais para baixo. Alguns vales ainda dormiam
cobertos de nevoeiro à espera que o sol lhes desse os bons dias.
Os trilhos inverneiros em algumas zonas tornavam-se mais
lentos nos lameiros por onde passávamos.
Os primeiros 15km eram um sobe e desce por trilhos e
estradões passando por algumas aldeias “Lombas”.
Quando chegamos à aldeia de Pinheiro Novo a morfologia do
terreno mudava bastante, era um misto de navegação à vista e olhar para o GPS
pois não se via marcações no chão, não era uma zona muito usada o que me
agradou bastante, natureza em estado puro, e claro mais duro até chegarmos aos
marcos fronteiriços e ao Penedo Pé de Meda. A dureza aumentava com muita pedra
solta até trepar aos 1150m a partir dos 850m tudo muito duro, mas de uma beleza
tal.
Onde havia um trilho a vegetação abraçava-se dando as mãos
dificultando ainda mais a nossa passagem. Foram 10km muito bons, puro btt em
natureza virgem.
Depois de passarmos mais um grande lameiro totalmente
encharcado, e andar a escolher os tufos de terreno ou vegetação mais alta para
colocar os pés, porque era impossível pedalar, voltamos às descidas forradas a
pedras soltas a testar as suspensões e pneus e ver quanto tempo aguentavam o
stresse do material. A fava saiu ao pneu traseiro da bike do Miguel, um rasgo
que obrigou a colocar uma camara de ar.
Continuamos a descer em direção ao Rio Assureira, e a
inclinação cada vez mais acentuada quanto mais perto do rio estávamos. Quando
chegamos à margem, uma grande surpresa. Era demasiada água e esta passava por
cima da represa com uma corrente forte. Analisámos por onde podíamos atravessar
numa zona mais estreita e não havia solução à vista. O Miguel ainda tentou ver
se conseguíamos passar por cima da represa, mas não trazíamos escafandro nem
barbatanas. Abandonamos a ideia e teríamos de subir tudo até encontramos uma
solução para continuar no trilho.
O Miguel experimentava um GPS novo, o Faria pergunta se o
GPS não é dos espertos que tenta encontrar uma ligação mais rápida em vez de
ter de subir tudo. Por sorte a subida foi curtinha e o GPS encontrou uma ponte,
o que foi um grande alivio para as pernas e as baterias.
De volta ao track a subir, já que estávamos num buraco, 6km
com 400m+, o sol esteve fraco e andou deitado o dia todo, estava na hora de
acelerar que os dias eram muito curtos, e os últimos 10km foram feitos em boa
média.
Acabamos com 61km e 2000+
Era chegar a casa, tomar banho e ir fazer os 10km para
jantar. Aqui jantam cedo muito cedo, e o anho já devia estar no forno.
Dia 3 de dezembro, domingo
clica na foto para aceder à galeria
Depois de uma noite bem mal dormida vá-se saber bem porquê,
tomamos um bom pequeno almoço para voltar à lida do btt.
6km de aquecimento lento, em banho maria, o apetite ainda
nem sequer tinha aquecido e já estávamos a descer em direção ao Rio Mente amarrados
aos travões para que o vento/frio não nos rache a meio. Quando nos deparamos
com montes de árvores arrancadas pela raiz e outras partidas a meio, andávamos
a fazer salto às arvores com a bike às costas, qual frio qual quê…
Voltávamos a apanhar marcos fronteiriços, tudo corria bem
até a suspensão da bike do Miguel passar de 100mm para 0mm, ficou sem ar. Uma
pura XCO e uma dor de costas de andar tão vergado, nas descidas foi duro, mas
lá conseguia andar, que remédio… foi o fim de semana azarado dele.
Mais uma descida onde as giestas estão a tomar conta do
trilho e as pedras não nos deixam decidir qual a melhor trajetória a seguir. Eu
e o Rocha íamos comentando o tempo que o Miguel devia fazer a descida sem ar na
suspensão… ia ser uma bela descidaaaaa.
Quando a descida terminou mais um problema, mais um rio e um
campo demasiado fofo para andar a procurar uma travessia. Estava à nossa frente
uma ponte de elevado grau técnico e engenharia, o medo é que esta não
aguentasse o nosso peso com a bike às costas. Depois de um rápido teste à
resistência foi fácil para as bikes analógicas, as de “combustão” já deram mais
trabalho.
Com 35km feitos, numa zona rápida de descompressão muscular
apareceu um rabo de uma cabra para escalar, com ela à mão ca P#$% de subida,
aproveitei para aquecer os pés 😏.
Mais uns marcos fronteiriços pró saco e pedalávamos em
Espanha, apanhamos uma cascata (Catarata Cidadella) onde ganhamos tempo a
contemplar a cascata de diversos ângulos e alturas. Seguimos por estrada ao
longo do parque Cidadella com diversos moinhos de água e alguns trilhos. Uma
zona muito bonita recheada de cantares de água por todo lado.
Voltávamos a entrar em Portugal com uma descida muito rápida
a cheirar a casa tal a rapidez que nos afundava monte abaixo, depois foi subir
penosamente até chegar a casa sem antes passar pela aldeia de Passos de Lomba.
Este percurso saiu de uma alucinação do Faria, as cobaias
que se lhe juntaram foram Rocha e PedroS. Eram trilhos para todos estarem de
E-Bikes, o que aconteceu, PedroS levava uma de teste.
Saída do Campo do Gerês em direção à barragem e Vilarinho
das Furnas. Ao chegar lá cortamos à esquerda para seguir na autoestrada da
GR50. Logo a começar na entrada da GR50, uma subida que fiz com a bike à mão
para não gastar bateria, (era para andar todo o dia e não podia sair do eco) o
Rocha usou a mesma tática, era tanta pedra verde… Quando montamos não ficou
mais fácil, sempre a montar e desmontar, o ritmo cardíaco já estava lá no alto,
300m à frente desmonta para descer uma zona como a que subimos inicialmente.
Estava a ser um beeeeelo diaaaa…
Mais 100m e o Rocha deixava a bike na GR50 e corria monte
abaixo depois de ter perdido o controle da bike a tentar não cair.
1,5km a bike já ia às costas, 25kg, navegação à vista é o
que dá… Estava a ser um beeeeelo diaaaa…
Chegávamos à ponte medieval de Quintão com 6,3km em 1:26h…
que média…. Agora era subir até à aldeia de Brufe entre trilhos e alcatrão.
Na aldeia de Cutelo apanhávamos a autoestrada da GR34 em
direção a Germil - Ermida para fazer uma descida orgásmica em calçada. Esta tb com o
musgo do presépio e com água a fazer a descida.
Há uns anos atrás quando a fizemos pela primeira vez um
amigo disse “o prazer de fazer esta descida é saber que nunca mais vou fazer
esta p#$%” outro “Tem efeitos psicóticos na cabeça dos ciclistas” dois km de
puro prazer. Passamos na ponte ribeiro de Carcerelha em direção a aldeia de
Lourido e descemos com a bike à mão em direção ao rio Froufe atravessamos a
ponte e voltamos para trás, as baterias e as pernas estavam a ficar curtas bem como
as horas com sol.
Subíamos a bem subir até Germil por estrada, e aí voltamos a
entrar nos trilhos, voltamos a esfolar o rabo da cabra.
O Rocha ia perdendo sinal de satélite, não o via tão
arrebentado desde que passou para a elétrica.
A subir com a bike à mão eu e Rocha conseguimos cair, mais
que uma vez, estava a ser um beeeeelo diaaa…
Quando fizemos a descida para Cutelo, a trepidação foi
soltando os músculos dos ossos do Rocha e “bastou” uma pequena subida bem
inclinada para se atirar para o chão a gemer de dores, nem se conseguia por a
pé que os músculos voltavam a sair.
Depois de se recompor um pouco o Rocha abandona por estrada
até ao carro. Era sempre a descer em alcatrão. Nós continuamos a partir pedra
pelo monte fora.
Faria e PedroS continuavam nos trilhos exigentes sempre a
olhar para o relógio.
O GPS está a indicar o trilho quase impercetível pela
vegetação, a dificuldade de visualizar o trilho cada vez mais denso e o
afastarmo-nos de zonas povoadas decidimos virar o bico ao prego e começar a apontar
para o carro. Passamos pela aldeia de Cortinhas e Brufe usando a GR50, e com o
sol a ficar sem força para nos aquecer vestimos a roupa toda que tínhamos e
cortamos por estrada até ao carro. Estava mesmo frio e sensação térmica na
descida devia estar nos 0º graus.
A Albergaria Vileira não tinha serviço de pequeno almoço à
hora que nós pretendíamos, sete da matina. O patrão resolveu o assunto e ligou
na véspera para o café madrugador de Vimioso para nos fornecer o pequeno almoço
que ele pagava. E assim foi.
8.00h já pedalávamos pelo trilho que eu e o Rocha não
tivemos “vontade” de fazer no dia anterior. Ficavam agora os 2km feitos. Check!
De Vimioso à aldeia de Carção, 6,5km, o trilho era igual ao
do dia anterior, mas em sentido contrário, a descida de ontem hoje era a subir,
não eram 8:30h o som do metrónomo da subida eram os pingos de suor a bater no
quadro. Ia ser um beeeelo dia…
Em Carção a boia de aviso de falta de água já acendia num
dos tabliers, aproveitou-se para ajustar água até à borda do cantil.
A caminho da Vila de Argozelo, num topo, conseguíamos ver
mais um vale sobre o Rio Maçãs. Uma escarpa aos nossos pés, o rio lá em baixo,
uma azinheira convidava-nos para baixo da sua copa protegendo-nos do sol que já
estava abrasador e assim podermos contemplar as belas paisagens.
Entramos pelo sul de Argozelo, demos uma pequena espreitada
à Vila e seguimos de volta aos trilhos, um pouco de alcatrão a descer 66km/h e
voltar a entrar outra vez no trilho, íamos atirar a bike para mais um buraco, e
não sabíamos ao certo se o buraco iria ter saída.
A ponte dos mineiros sobre o Rio Sabor, era uma ponte de
cordas, e a conservação desta poderia não estar grande coisa e teríamos de
voltar para trás. Felizmente não aconteceu. Dava para atravessar de bike com a
roda da frente levantada e rodando o guiador quando passávamos as cordas que
sustentavam a ponte. Esta ia abanando à passagem. Um a um com a sua bike e não
exceder o peso. Uma bela engenharia.
Já a subida… a paisagem sobre o rio, e os antigos edifícios
destinados à mineração iam-nos distraindo das dores de pernas.
A inclinação já acentuada e a vegetação alta por onde
trilhávamos por falta de uso dificultavam bastante a progressão… não sei se já
falei do calor… mas este vale estava bem quente, até o simples respirar ar
quente não ajudava a subir. 2km e 200m+ no trilho e depois mais alguns em
alcatrão até chegar à aldeia de Coelhoso.
Na aldeia não queria água da fonte, esta já vinha morna.
Entrei num café e tive sorte que apanhei uma garrafa de 1,5l meia congelada que
coube toda dentro do camelbak, com ajuda de uma faca consegui meter metade de
água outra metade de gelo no cantil, o Sr do café encheu com gelo e adicionou
mais água gelada. Que P”#$%v de calor que estava, pelo menos durante uma hora
não ia beber chá quente.
Eram horas de parar e encher bem a barriga para continuarmos
a ser fustigados nos trilhos, não descorando a hidratação, estava difícil era
arranjar uma sombra onde coubéssemos os quatro. Não foi fácil nos primeiros kms,
a barriga mandava parar e não havia sombras. Mas num pequeno carvalho deu para
almoçar todos juntinhos por causa do frio…
A descida até à ponte medieval de Grijó de Parada, foi uma
bela descida por estradão, com algumas lombas onde podíamos fazer o Super
Homem, foram 4km muito rápidos.
Começamos mais uma penitência, 46 minutos para subir 3,2km…
que p”#$% men… cheguei ao topo nem apanhava rede…
O track não entrava na aldeia de Outeiro, os nossos
reservatórios de água estavam muito leves, e lá fomos visitar a aldeia para ver
se encontrávamos um café. Estava difícil encontrar alguém para nos indicar o
que quer que fosse.
Chegava um sujeito de carro e estacionava, abordamos o Sr e
ele indicou-nos ao lado da junta de freguesia que devia estar alguém lá dentro.
E assim foi, encontramos alguns nativos, mas água fresca nada, aproveitamos o
que havia e siga. A cada 20km desapareciam 2,5l de água. Já falei por algum
acaso que estava um c&%$#” de um calor?
O Santuário Do São Bartolomeu fornecia-nos uma bela vista, e
conseguíamos ver os trilhos calcados da manhã o mais perto passava a 300m
Argozelo, agora entravamos pelo norte da aldeia, e mais um
afundanço para ver a Ponte Gótica. A subida deste buraco não foi de ferrar no
avanço da bike e foi gradual, mas os km do dia anterior mais os de hoje já
estavam a pesar e anunciava-se homem da marreta.
58km chegávamos à Aldeia de Pinelo, um tanque com água a
correr… não mostrávamos felicidade por tão grande dádiva, em silencio
banhávamos o corpo, refrescávamos a cabeça, humedecíamos os lábios para depois
tentar o afogamento. Pelos poros da pele já se via que a água já tinha chegado
a todas as extremidades do meu corpo, faltava encher os depósitos. Ansiava por
uma cerveja fresquinha mas não era boa ideia, só quando faltassem menos km.
Trespassamos pelo meio a Aldeia de Vale de Frades e
circundávamos a Aldeia de Serapicos, o trilho entrava na margem Rio Angueira,
muito mais fresco e com sombras, a energia parecia que tinha ressuscitado.
São Joanico era a última aldeia antes de Vimioso, tb tinha
uma ponte, atravessamos para o outro lado para ver as vistas, o track não
passava por lá, foi mesmo atravessar a “ponte é uma passagem, prá outra
margem”.
Um colega bttista passava por nós em cima da ponte, depois
voltava a passar freneticamente, e nós a tirar fotos à ponte, devia estar a
fazer series de 300m.
Avistamos um café e fomos emborcar umas cervejas na
esplanada que estava à sombra.
Um Sr já bebia a sua cerveja com um pires de tremoços,
pedimos a mesma coisa. Mas havia no ar um certo cheiro a merda calcada,
levantei os pés para ver se tinha sido eu que tinha calcado, fui ver os pneus
da bike e nada, pedi aos outros para ver se tinham calcado bosta e nenhum tinha
calcado, começava a desconfiar do sujeito que estava na mesa ao lado,
afastei-me dele e deixei que o Miguel ficasse mais perto a fazer de toldo.
O bttista continuava freneticamente a subir e descer a
ponte.
As cervejas estupidamente fresquinhas lá iam goela abaixo, e
o bttista lá continuava, quando veio o prato dos tremoços o cheiro a merda
acentuou-se, o rasto vinha do dono do tasco, mas quando começamos a comer os
tremoços sem sabor e com um cheiro estranho, é que reparamos que o cheiro a merda
vinha dos tremoços. O outro continuava a fazer series e nós series de cerveja.
Depois das cervejas e das risadas e de me cansar de ver a
fazer series de 300m, arrancamos junto ao Rio Angueira. A parte dura ficou para
o fim, o piso irregular com muita pedra solta e buracos num sobe e desce
constante a romper as pernas que já estavam pouco presas, com a cerveja a bater
no lastro quase até ao esófago. Já estava arrependido de ter bebido as
cervejas.
Ainda faltavam duas picadas de 100m e eu já só pensava em
chegar à piscina da Albergaria.
Os outros três só os vi na última picada já em Vimioso.
81km com 2300m+ claro que o GPS do Faria deu mais e para nós esse é que conta
Vimioso aqui vamos nós. Rocha, Pedro Faria, PedroS e Miguel
Martins partiram para a terra quente com o pretexto de ver pontes e castelos
medievais e ou romanas, e já que lá estávamos… comer bem tb.
Arraiamos espias na Albergaria Vileira. Chegamos cedo e ainda
não havia ninguém na albergaria para nos receber.
Deixamos os carros no parque, saltamos para cima da bike e
começamos a desidratar. Ainda não eram 9:00h já estava muito calor. Julho em
Trás-os-Montes… o bem precioso eram as sombras (raras) e líquidos, bastante,
água muita, qualquer liquido que escorresse, um poste ao alto tb fazia sombra.
Passamos pelas aldeias de Campo de Víboras, Vale de Algoso e
Algoso. Não se via vivalma.
Saímos de Algoso, lá no topo do topo víamos o seu castelo, a
convidar-nos a entrar, a escalar, a usar o teleférico, ou o garibaldo, etc
& tal… tentaríamos a sua conquista aquando da volta a Vimioso, ia ser
bonito só pelo aspeto.
Lá em baixo sobre o rio víamos uma ponte que nos levaria
para o outro lado, um lado mais triste, mais serpenteado, mais inclinado, mais
duro e mais uma grande desidratação.
Descemos por uma calçada medieval em direção à ponte
medieval de Algoso sobre o rio Angueira. Paramos para arquivar memórias futuras
e tentar sentir a frescura da água lá em baixo. O Rocha estava com a vontade
toda de encontrar uma corda para poder ir lá baixo refrescar, mas só tínhamos
feito 20km ainda faltavam muitos trilhos e não podíamos para já estar a perder
tempo. Ficou prometido que ao passar por lá na vinda, ele podia molhar os pés.
Mal largamos a ponte começou a subida até à aldeia de
Valcerto, em 2,1km subimos 230m, simples, as pernas, o coração e os pulmões que
façam o trabalho deles, os olhos… esses… nem conseguiam deitar uma lágrima, não
havia stock.
Os trilhos eram em grande parte feitos por estradões,
estávamos a fazer turismo em btt. Havia zonas que as paisagens nos faziam
lembrar o Alentejo.
Sobreiros e azinheiras escoltavam-nos até à aldeia de S.
Martinho do Peso.
A próxima aldeia, Penas Roias, tinha castelo e barragem daí
uma visita mais demorada. Nesta já se via alguém às janelas a espreitar, quem
de seu perfeito juízo andava na rua com o calor que estava.
O castelo medieval que pertencia à ordem dos templários,
fornecia uma vista circundante e desafogada, com o impacto de se ver a pequena
barragem e o planalto de telhas da aldeia.
Deste ponto (Penas Roias) ficávamos a 2/3km de um trilho que
fizemos em 11-2021, onde fomos visitar um monumento, Monóptero de São Gonçalo
Abandonávamos o alto do castelo para seguir viagem pelas
aldeias de Vilariça e Castanheira, por prados vestidos de flores e voltávamos à
Aldeia de Valcerto. Agora seria a descer… yuipiiiii
Descida rápida com curvas fechadas e logo estávamos sobre a
ponte.
Pronto para começar a subida para o castelo de Algoso e
esperar que o Rocha tivesse Alzheimer e não se lembrasse de ir ao rio molhar os
pés que ainda ficava mais lá em baixo.
A campainha tocou no cérebro do Rocha e lá tivemos de ir
molhar os pés, as, canelas, as coxas, o c#$%&, a barriga, os ombros e já
que está, a cabeça tb. O Faria levou a água até às canelas e está bom. A água
esverdeada e fresca escondia alguns lagostins e o relaxamento não era total,
pois tb se via o castelo lá em cima, muito lá em cima e a subida era em
calçada.
Para ajudar, o Miguel diz que está a ver uma cobra a nadar e
a subir para uma pequena “ilha”, lá fomos nós ver se era verdade ou se era
altura de nos vestir e começar a trepar. Era verdade e lá estava a pequena
cobra a tentar estar sossegada e que ninguém a chateasse, pois tb ela foi para
Trás-os-Montes para estar descansada.
E era altura de ver se o refrescamento do corpo iria trazer
benefícios físicos para fazer a pequena subida. 2km e 250m+ com inclinação a
atingir os 32%. A subida da calçada os analógicos ainda fizeram em cima da
bike, depois quando apanhamos as pendentes mais inclinadas e o piso forrado a
pedras soltas do tamanho de bolas de golfe e ténis, nem pulmões, nem pernas
conseguiam manter-me em cima da bike. Mas foi em cima das sapatilhas que
conquistamos o castelo, deu luta, mas lá conseguimos colocar a nossa bandeira.
Deixamos as bikes, e lá fomos treinar pernas escadas acima até ao topo do castelo, ficamos sem ar ao ver a imponência
paisagística do local.
Voltávamos à aldeia de Algoso, agora já com movimentação de
pessoas, (o percurso passava duas vezes pelo mesmo sítio, 5km para cada lado) e
direcionávamos as bikes para mais um monumento, a ponte Matela, uma ponte de
estilo românico por cima do Rio Maçãs.
Na aldeia de Matela, pedimos água a um Sr. que chegava a
casa, foi muito prestável e deu-nos água fresca. Passamos na aldeia Avinhó, e
Santulhão, nesta paramos num café e emborcamos umas cervejas e uns aperitivos,
75km já tínhamos direito a beber água com cereal, a alma e a boca agradecem,
mas as pernas… essas não, mas temos de agradar ao corpo todo.
A Aldeia de Carção ficava perto de Vimioso, o ânimo volta
para cima e já pensava na degustação do jantar, só nos separava uma ponte… as
pontes… estas são sobre os rios, os rios correm pelos vales, os vales são a
subir ou a descer, dependente de como apontas a roda da frente da bike. Já
sentia o costeletão mais longe.
2.5km a descer para o buraco, a meio paramos para ver o arco
da ponte de um miradouro, continuamos para o tabuleiro até o Faria dar um
saltinho e rebentar o pneu da E-bike, com pneus plus, a camara de ar precisava
de reforço que já se via a borracha a sair pelo rasgo do pneu.
Como não levávamos nada para colocar no pneu, inventamos com
um plástico grosso que estava por ali perto, a reparação demorou bastante, a
subida até Vimioso tb.
3km e 230m+, o Rocha já vomitava btt, estava cheio, queria
pousar a burra, tomar banho e sentar-se à mesa. Aquela ideia sempre a bater-me
a cada pedalada da subida e com o sol já no litoral, cortamos os 2 km por
estrada, já que de manhã voltávamos a passar por lá para fazer o 2º dia. O
Faria e o Miguel foram pelo trilho e ainda chegaram primeiro que nós nos mesmos
2km
87km com 2330m+ e as maiores subidas eram os 250m+ foi um belo
rompe pernas com temperatura media de 36º
Fizemos o Check-in, tomamos um banhinho na piscina, voltamos
ao quarto para nos preparar com o fato de gala (todos rotos do enorme dia que
tivemos), descansamos 5 minutos e descemos para reforçar bem as paredes do
estômago. Muito bem atendidos pelo pessoal e patrão… grande manjar na
albergaria Vileira
O nosso passeio de Reis realiza-se no primeiro domingo a seguir ao dia de Reis. Como no dia 8 estava a chover muito… e há pessoal que se molha quando anda à chuva… e não gosta, optamos para adiar para o dia 15, com sol.
Rocha, PedroS, Rui, e Joel, foram os kedas que se apresentaram nesta nossa tradição.
Como tem vindo sendo habito, o nosso ponto de encontro é na pastelaria/padaria Xilas, pelas 8.30h
O Bolo Rei foi patrocinado pela pastelaria/padaria Xilas, o Vinho do Porto foi patrocinado pelo Rocha e pelo PedroS, ao todo 1.33l de Vinho do Porto para 4. Sede já não passávamos.
O Joel tem faltado aos treinos e por isso os km foram feitos à sua medida.
Mouquim, Lemenhe, Viatodos foram os montes por onde andamos para merecermos comer o bolo rei e saborear o Vinho do Porto.
No topo do Monte da Saia em Fralães, foi o ponto escolhido para o piquenique de Reis, para o Joel foi a parte onde não se ouvia a arfar, só a mastigar. Quando tudo ficou limpo descemos pela pista de enduro cheios de entusiasmo.
Já tínhamos este track para fazer há um ano, com a desculpa
de ir tascar ao repasto do Evaristo que ficava lá perto, o que não aconteceu…
baaaa.
Rocha, Faria, PedroS e Miguel Martins não havendo o repasto,
as Buracas do Casmilo eram o ponto de interesse do dia. Claro que os trilhos e
as paisagens inverneiras tb.
O primeiro ponto de interesse foi em Penela, com o seu
castelo envolto em nevoeiro protegido das investidas de quem o tentasse conquistar.
Dentro das muralhas demos umas voltas para conhecer e retroceder uns séculos, e
tentar perceber como se vivia nessa época.
Deixávamos o castelo de Penela e 6km depois… mais um
castelo, ou melhor, os restos do castelo de Germanelo. Aqui sem o nevoeiro
conseguia-se ver ao longe a paisagem.
Os trilhos em muitas zonas enlameados e escorregadios, onde
mesmo os elétricos tinham dificuldade em manter-se em cima da bike. Zonas do
percurso sempre encharcadas dificultavam a progressão e os km ficavam lentos.
Mas tínhamos mais tempo para apreciar a envolvência por onde trilhávamos.
A “subidinha” do dia apareceu ao km 23 e acabou no km 30.
Começou logo a empinar com percentagens de inclinação a atingir os 19%. O piso
estava compacto e com boa aderência. As pernas rodavam os cranques
freneticamente para manter a bike no trilho certo nas zonas mais inclinadas. A
meio da subida a inclinação foi amaciando e a dor de pernas tb, para nos
últimos km voltar aos 19%. Agora o trilho estava carregado de pedras soltas e
era grande a dificuldade de manter a bike na linha traçada pelo nosso cérebro
sedento de oxigénio. Chegando ao topo só via estrelinhas, e só de ouvir a minha
respiração ofegante ainda ficava mais cansado…
Depois do baloiço de Soure, entravamos balanceando numa
descida onde eu e Rocha nos divertimos bastante monte abaixo, serpenteando o
trilho com curvas de 180º num bailado num piso carregado de pedras soltas.
Muito fixe a descida.
Chegávamos às Buracas do Casmilo onde o primeiro olhar sobre
as buracas provocaram os espasmos nas mãos e estacavam os travões. Do topo do
monte víamos aqueles gigantes buracos como um queijo. Fizemos a aproximação
devagar com o pescoço a fazer 360º de um lado para outro. O Faria ainda fez uma
umas visitas aos buracos, era o mais fresco e com mais bateria. Os outros
ficavam a olhar debaixo a poupar energia para o que ainda faltava.
O percurso continuava a surpreender, muito diversificado em
paisagens e tipo de trilhos. Havia ST onde o sol não chegava e parecia que
estávamos a pedalar em cima de gelo, com a bike sempre a escorregar e nós a
tentar mantermo-nos em cima do touro mecânico. Não estava fácil.
Nos trilhos que não estavam escorregadios, a diversão era
total curvas contra curavas, travagens acentuadas nas descidas vertiginosas.
O percurso estava na sua faze final, o Rio Alheda
acompanhava-nos atá ao centro de Miranda do Corvo nuns bonitos passadiços a
embelezar o excelente percurso 68km com 2000+
No nosso passeio de Natal, levamos as bikes a passear para
Póvoa de Lanhoso, Porto de Ave foi o local para a partida.
Carlos Pereira, Joel (ainda sabem o que é uma bike)
apareceram para desenferrujar os joelhos e a bike. Rocha, Faria, PedroS e Rui
engrossavam a comitiva carral para parecer que somos um grande grupo e não um
grupo grande.
A ementa para o dia eram 40km com 1100+ de acumulado. O
ritmo era o ritmo de passeio de Natal, até o amortecedor da bike do Carlos
Pereira entrar em modo de presente, e dizer que está na altura de trocar de
amortecedor. O ar desapareceu na primeira descida ficando a bike em formato
shouper o que ia dificultando a pedalada.
O Joel parecia que estava a pedalar em pleno verão, mas com
excesso de roupa, parecia uma panela de pressão prestes a explodir de tão
vermelho que estava. Os dois com 17km cortaram para a estrada para se
prepararem para o nosso jantar de Natal KEDASbikel.
O Rui ficou triste com a desistência do Carlos Pereira e
Joel, era ele agora quem vinha na cauda do passeio de Natal a resmungar que não
estava em nenhuma prova de xcm.
O track era o da Rota dos Bifes, tem sempre alguma exigência
como tb espetacularidade de diversidade de trilhos.
Passamos pelo recinto da capela Nª Sª da Lapa, com um ST
logo a seguir a abençoar o resto do percurso.
As horas estavam a andar muito rápido e era dia de
Portugal-Marrocos no mundial e queríamos estar presentes para ver o jogo às
15:00h, por isso os cranques tinham de ser fustigados para chegar a tempo.
O Jantar de Natal foi degustado pelos Kedistas Nagy, Carlos
Pereira, Tó, Mendes, Rocha, Faria, PedroS e Joel no restaurante João da
Margarida
Um carro com três bikes e três riders em direção a Monção
para participar no GPS Epic. Rocha, PedroS e Miguel Martins prontos para
desfrutar do BTT.
Quando chegamos as caras conhecidas iam aparecendo em
catadupa, colocamos os dorsais e arrancamos.
As primeiras pedaladas levaram-nos para os
jardins/passadiços da Fortaleza de Monção, para apreciarmos a beleza
circundante com vista para o Rio Minho, passando pelo centro da vila.
Em termos de gráfico de altimetria era subir praticamente
até aos 36km e depois descer até aos 70km.
Com zonas já enlameadas as calçadas tornavam-se difíceis de
transpor.
A subida do Sistelo para a Branda de Santo António, (já a fizemos a descer) foi acompanhada pelo Cocas outro Kedista que desde o inicio
do percurso nos íamos cruzando constantemente.
A e-Bike do Rocha chegava à Branda de Santo António com
problemas na centraline, não ligava. O Rocha ficava com um peso nas mãos, ou
melhor… nas pernas.
Ainda tentamos que continuasse já que era praticamente a
“descer” até ao fim, mas optou por ir por estrada. Fez bem 😅 ainda havia umas
pequenas paredes para escalar.
o Miguel estava entusiasmado com a prestação da Specialized
Epic em subida, estava a testar/experimentar, faltava ver como se portava em
descida.
Deixamos o parque eólico e começamos a descida em alcatrão,
já deitava fumo 3,5km de “espiche” dasseeee P#$%” que P€£§@, tanto esforço na
subida para descer numa bike de estrada?!!!
Mas a coisa compôs-se, trilhos rápidos, muita pedra, água a
correr, lama, e pedras forradas a musgo deram a adrenalina que procuramos no
btt, com a bela natureza a mostrar a sua camaleónica diversidade de cores e
feitios.
A trepidação era tal que o guiador da epic desapertou,
pregando um grande susto ao Miguel que quase se esbandalhava no trilho de
pedras forradas a musgo.
Os trilhos continuavam, bastante divertidos que me
satisfizeram a mim e à minha bike, vínhamos os dois com um sorriso monte
abaixo.
Um Pit STOP para tomar um café de pote, e reforçar o combustível
para continuar a ter energia para curtir o que os trilhos estavam a dar.
O Xoio e os amigos de Barcelos no reforço, falavam da
dificuldade da descida esverdeada, não gostaram, mas de resto estavam a adorar,
como nós.
Nas descidas pensava no Rocha e no que estava a perder, nas
subidas pensava no Rocha que se ia F#$%&b tanto que nem era bom…
Acabamos na margem do Rio Minho num bela e agradável
ciclovia.
Desde o meio de abril que não saía para as grandes voltas de
btt fora do meu jardim. As costas tem obrigado a deixar a bike de lado😞.
Falei com o Faria para arranjar um track escape para matar o
vicio, para a mesa lancei os 80km com os 2000+ para sentir como as costas se
iam aguentar.
Saiu na rifa Ribeira de Pena, como ponto de partida. O Track
chamava-se Beça e Tâmega… sugestivo. Água havia de certeza.
Perguntei quantos anos devia ter o track, ele respondeu uns
5 anos. A ver vamos se não vamos ter surpresas.
Uma manhã bem fresca quando começamos a pedalar, fizemos a
descida em direção ao rio Tâmega a usar os travões tal era o frio e a sensação
térmica provocado pelo vento.
O track levava-nos em direção ao rio, tipo travessia sem
água ou pouca água, ou uma pequena ponte a seguir a um braço de terra. Não, não
havia ponte nem barco, havia uma barragem, havia pontes novas, estradas com
alcatrão a espelhar de novo. Começava a desconfiar que o track era muito mais
antigo.
A travessia foi feita pela ponte mais perto, a opção a nado
foi descartada. Apanhamos o track do outro lado do rio e seguimos com algumas
subidas interessantes. Os medronheiros com pintas vermelhas chamavam por nós,
escolhíamos os mais escurinhos que estavam mais saborosos.
20km feitos mais um problema a resolver, pedalávamos num
estradão e o track ia virando à esquerda, não encontrávamos o trilho numa
vegetação já densa. A vegetação já tinha comido o trilho. Fizemos uma procura
de alternativa no GPS e não havia aparentemente uma solução mais fácil, optámos
por fazer parte da vegetação e trilhar um trilho a descer muito apertadinho
entre vegetação que já nos cobria.
Quando ficou mais fácil a locomoção entre a vegetação o rio
Beça precisava de ser transporto, uma ponte suspensa por cabos de aço com os
tabuleiros da ponte em madeira, tinha sido atacado por um incêndio há anos,
tudo o que era de metal estava muito enferrujado/podre, uma tentativa de passar
por cima estava fora de questão.
Um dos três tinha de descer e ver se se conseguia atravessar
o rio em algum lado. A sorte saiu ao Faria. Desceu por uma ravina abaixo e foi
desaparecendo.
Como não sabíamos a profundidade do rio e se este tinha
corrente e o Faria não sabia nadar YOU, os nossos ouvidos é que iam saber se o
rio era atravessável ou não.
Se ouvíssemos um splash sem berros era sinal que o rio era
fundo, se ouvíssemos um splash e berros a desaparecer a ficarem cada vez mais
baixos, era sinal que o rio tinha corrente forte. Se ouvíssemos o Faria a dizer
que friaaaa, era possível a travessia. Aiiii que friaaaaa…
Tiramos as botas e pés a caminho água adentro. Água até ao
joelho, escolhemos a travessia por cima de umas pedras que estavam mais à
superfície.
Aquecemos logo ao sair do buraco que nos tínhamos metido.
Onde há rios há sempre subidas e descidas a pique.
O Castro do Outeiro do Lesenho ficava a meio do percurso e o
ponto mais alto tb. Em 2017 já tínhamos estado cá em cima, mas com um tempo merdoso que
não dava para ver nada.
Desta vez podemos apreciar a paisagem à vontade.
O percurso e tipo de trilho era dos que rende, não dava para
ganhar grande velocidade, nos estradões de pinheiral já dava para subir um
pouco a média, mas logo entravamos em curvas e ganchos apertados.
Aos 50km já tínhamos mais de 2/3 do acumulado feito, era
praticamente a descer, mas a descer lentamente, a render…
Quando chegamos ao Tâmega atravessamos a mesma ponte da
manhã e foi sempre a subir até ao carro. 4km nojentos de alcatrão que até
tiraram a fome ao Faria, que só comeu um pires de moelas que deu até ao dia
seguinte.
Começamos por um track idealizado pelo Joel Braga que saía
de Arcos de Valdevez, colocamos a GR50 partir do Mezio ao nosso serviço, mais
uns apêndices para voltarmos ao trilho inicial. Juntamos mais dois tracks do
Miguel Martins e nasceu o nosso tack para o dia.
Os dias ainda estavam pequenos e dada a tipologia do
terreno, e em conversa com o Miguel para saber se a GR50 do Mezio até perto da
Srª da Peneda Gerês era minimamente ciclável. O trilho por nós idealizado nesta
altura era mais ou menos impraticável e seria um empeno descomunal com chegada
só no dia seguinte ao carro. Mais uns ajustes ao track, usamos a tesoura.
Chegamos de carro às Portas do Mezio e fomos logo
cumprimentados por uns latidos de boas vindas, uma cadela com crias queria
mimos, mas sobretudo comida que pudesse alimentar os filhotes que deviam estar
no ninho quentinhos. Demos-lhe alguma comida e mimos e se ela olhasse bem pelos
carros seria compensada 😎
Cem metros de percurso, as dificuldades da GR50 já
assustavam, um trilho a descer com muita madeira cortada há algum tempo, com o
verde escorregadio em pedras e paus a juntar à dificuldade técnica, o som de
queda ecoou aos ouvidos. O Rocha “kedava”, não se aleijou, mas as campainhas
ficavam ainda mais despertas com o imprevisto.
Subidinhas curtas e bastante inclinadas que as fazia à mão,
nem sequer tínhamos feito quatrocentos metros e as dificuldades da GR50 não
abrandavam.
15km de GR50 até à Aldeia de Tibo, foram muito duros, com
muita pedra a subir, a rolar e a descer, zonas escorregadias, mas tb muito
bonitas. Há partes deste percurso que nem me lembro de nada tal a concentração
que tinha que estar para me manter em cima da bike.
Saímos da GR50, até o alcatrão a subir pelas aldeias de
Rouças, Gavieira parecia manteiguinha. amos
A subida em paralelo levava-nos agora até à branda da
Junqueira que nos proporcionava umas vistas magnificas sobre o vale e o maciço
granítico da Peneda. Quanto mais subíamos mais perto estávamos de voltar ao
trilho inicial e mais frio ficava. Os charcos estavam congelados, o vento vinha
em forma de facas afiadas provocando um elevado desconforto. Bastava parar para
dar uma trinca comestível ou tirar uma foto que o arrefecimento era
instantâneo.
Apanhávamos o track inicial e tínhamos mais uns apêndices
para fazer Branda de Bosgalinhas e S. Bento do Cando, mas com frio e a
quantidade de tracks no GPS, o Rocha já dizia que as baterias o iam deixar mal.
Estávamos com 28km, falhamos essas brandas ficando para uma próxima volta nesta
zona.
Estávamos a contar que a descida para o Sistelo ia ser
interessante, mas essa passou muito ao lado, era um estradão sem grande
assunto.
Já com vista para o Sistelo, o Faria quer fazer uma calçada
que viu em sonhos, que podia ser uma mais valia para esquecer a descida pelo
estradão.
Da Aldeia de Estrica lá apanhamos o comboio da calçada e
afundamos descida abaixo a tentar descolar o cérebro do crânio tal a trepidação
que sentia.
Pela calçada abaixo ainda acordamos umas vacas que dormiam
numa cama de folhas aquecidas pelo sol
Continuamos até ao Rio Vez, e as pedras colocadas umas atrás
das outras entregavam-nos na Aldeia do Sistelo.
Uma visita curta à aldeia e voltávamos ao trilho, calçada…
outra vez… até aos Passadiços do Vez. Esta zona muito interessante com o
percurso a ser feito nos passadiços em madeira com algumas zonas escorregadias e
trilhos em ST num sobe e desce constante, mas com uma envolvência na natureza
muito bem inserida. Gostei bastante desta zona (a voltar). A companhia do
límpido Rio Vez e outono com sol.
Da Aldeia de Cabreiro, km 53, subir até aos 61km em
alcatrão, juntar mais 6km em trilho carregando 800+ de acumulado, com as pernas
a latejar ao tempo.
A paisagem pintada com o sol morno, ia acariciando a
vegetação, com outras a serem só refletidas em sombra. Duas horas a mexer as
pernas e os olhos nesta subida.
A bike do Rocha nas zonas mais inclinadas já não dava apoio
elétrico, e fez algumas centenas de metros ao lado.
Acabamos a descer, o que sabe realmente bem, descemos em
direção às Lagoas da Travanca com uma quantidade de caminheiros no trilho.
Aproveitamos para fazer um Slalom gigante entre caminheiros.
As árvores nesta zona estavam vestidas de Natal com luzes em
volta do tronco.
Chegamos ao carro e lá estava a cadela com os seus filhotes,
comeram um belo lanche.
Foi um passeio demasiado duro, não me lembro de muita coisa,
quando o empeno é grande só conseguimos ver a roda da frente e o chão. A ver
vamos quando voltarmos, mas espero, com melhor forma. Foram 72km com 2500+ e
muita pedra.