sábado, 1 de julho de 2017

1 de Julho 2017 NGPS Palmela


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Na Serra da Arrábida foi colocado o marco NGPS, assim estendeu em km percorridos de carro do meu quintal até Palmela como a maior distância feita para andar de Bike.
Aquando a saída das etapas do NGPS, a de Palmela saltou-me logo à vista, se o percurso fizesse km qb na Serra da Arrábida a minha presença era quase garantida. Conhecendo eu a Serra de carro entre Sesimbra e Setúbal, imaginando os trilhos coloridos com os olhos no mar, Troia, Setúbal, Lisboa e Tejo. Tinha tudo para ser um belo dia de btt.
Saí de véspera para Lisboa para encurtar a viagem e pernoitar em casa de uns amigos no centro, assim ficava a meia hora de Palmela.
A manhã em Lisboa estava ventosa e fria, o relógio marcava 7.10h não trazia mais nada a não ser o jersey, o corta -vento tinha ficado em Famalicão, as indicações do IPMA eram… calor.


Às 7.50h já estava em frente ao secretariado a levantar o dorsal, não havia muitas inscrições, cerca de 80 e a probabilidade de fazer o percurso só eram grandes. Continuava vento e frio…
Arranquei, a visita guiada via GPS em Palmela levou-me a percorrer a parte antiga da cidade, subindo até ao castelo passando pelo jardim do mesmo. A vista era grandiosa e com alcance livre até onde os olhos conseguiam delimitar o horizonte.


Uma longa reta fazia a entrada no trilho deixando 5km já percorridos. Enquanto o sol ia acariciando as costas dando pequenos empurrões, o vento de frente ia dificultando a progressão. Contemplando a paisagem pintada com moinhos virados para a capital, a predominação de tons de sol espalhados na tela iam acordando a minha sombra em cima da bike. O corpo, esse dizia que tinha estado pouco tempo na cama. Ai que sono…  A excitação ia em crescendo e com o aquecimento muscular o frio foi desaparecendo. Mais à frente passava por mim o primeiro colega NGPS, vai bem depressa, deixa-o ir que não tens pernas para o acompanhar. Com subidas, ST e descidas umas perto das outras íamos mantendo o contacto visual um do outro e pelo 15ºkm juntamos o “nosso” esforço pedalando na companhia um do outro.


Uma das características deste desporto é tb teres a hipótese conviver e presenciar vida selvagem no seu estado puro. Depois de te encheres de adrenalina a descer uma zona técnica, deparaste com uma águia no trilho a dar bicadas numa cobra segurando-a com as patas. Com a minha aproximação a águia bate asas tentando levar a cobra nas patas deixando-a cair, esta com algumas bicadas e com aspeto de quem levou uma grande tareia rastejou para onde pôde. Foi das imagens mais impressionantes que vi até hoje em cima de uma bike. Pena não ter conseguido filmar o início… :(


Paramos na Comenda para abastecer água e comer alguma coisa, aí já se via um bom nº de colegas de NGPS, os percursos já estavam juntos e a quantidade de Bttistas a abastecer já era assinalável. Eram 11h e 45km já feitos, a organização já tinha avisado que a parte final ia ser mais dura e para guardar reservas para o fim, o que eu fui fazendo.
Voltamos aos trilhos e logo em ST, ok, era plano mas sempre tem curva contra curva, uma brincadeira ali, uma subida acolá, e para ajudar à festa Bttistas em sentido contrário… e logo nos primeiros metros, um Bttista vindo de frente assustando-nos mutuamente trava mais com o travão da frente e é projetado pelo para-brisas da bike esbardalhando-se no chão. Foi um aviso para ir sempre a berrar ST fora não vá haver mais alguns pelo caminho.


O calor em certos vales já era assinalável, e a brisa fresca da manhã já se sentia falta. No ar o cheiro a madeira conhecida, não a identifiquei logo, mas à frente fui-me apercebendo com o calor as pinhas iam abrindo, deixando a fragância do pinhão no ar.
O sobe e desce continuava, com alguns ST e as tais curtas subidas em agulha vistas no gráfico estava a senti-las agora. Com a falta de vento e o calor a apertar já ia aparecendo alguma fadiga. Há que contrariar, hidratar e comer mais, já faltavam poucos km.


Como o colega Luís era da zona, ia fazendo de guia turístico e de guia de trilhos, já conhecia a maior parte por onde tínhamos passado. Avisava-me que o próximo trilho tinha uma descida bem escavada de regos, o melhor era pela direita para enfrentar a descida. Com a minha aproximação deixou bem claro que toda a zona era de difícil execução e com poucas probabilidades de ser uma descida “limpa”. O aumentar da velocidade vai descontrolando a bike mas… “aterrando” bem na receção entrando de seguida num ST de sobreiros. A sombra já era demasiado agradável para de seguida desaguar numa “planície ascendente” onde a vegetação seca indúsia que os km já estavam a findar.
Umas centenas de metros à frente, encontramos um colega a pedalar combalido depois de ter dado uma keda na zona da descida cheia de regos. Perdeu o controlo da bike e foi cair num buraco no talude. Contando-nos à posterior a dificuldade de sair do buraco tendo ficado 10/15 minutos a tentar voltar ao trilho. Fizemos-lhe uma guarda pretoriana até ao fim, e que fim, em pouco mais de 2km subimos 150m+, até perto da meta. O colega da keda começou apanhar melhor sinal e já se sentia melhor.
Foi um percurso com tudo que o btt pode oferecer, mas uma subida a um topo mais alto para melhor apreciar as vistas era o ideal, não sei se era possível…

Um agradecimento ao Luís Raposeiro pela companhia.

https://www.youtube.com/watch?v=e3VyXmumWRE

https://www.youtube.com/watch?v=rpxkC8X6Gh4

domingo, 11 de junho de 2017

11 de Junho 2017 BTT Tábua



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Maratona de Tábua, desta vez em modo passeio, sem controlo de tempos e com partida livre ao estilo NGPS. Inicialmente limitado a 700 inscrições, rapidamente se alargou a 1300 o que obrigou a alteração no regulamento com partidas faseadas de 6 boxes, alternadas em períodos de 10 minutos.

                                                                           compacto

Durante a semana Pedro S. propôs três hipóteses de modo a desfrutarmos dos famosos ST em movimento. A hipótese escolhida foi a terceira, que tinha um ambicioso plano “estar sempre na frente com os primeiros” na fuga ao pelotão nos km iniciais, mas já lá vamos.
De Famalicão inscritos 4 kedas Pedro S. Carlos Pereira, Rocha e Nagy mais o Mário de Braga. À hora marcada (05h15) reuniu-se o grupo que partiu em direção a Tábua para garantir o melhor lugar para a partida. Chegada a Tábua pelas 07h15m e rapidamente preparamos as bikes e nos preparamos para um dia de calor tentando partir o mais leves possível deixando para trás (inclusive nas obras) todo o peso desnecessário.

                                                                        ST Moinhos

O arranque deu-se como planeamos e rapidamente nos colocamos em fuga aproveitando para aquecer antes do primeiro ST. Quem não gostou da ousadia foram dois indivíduos do sexo canino que tentaram comer o membro extra que o Rocha tinha descoberto na semana antes em Valença. Chegados ao km 6 tínhamos o(s) primeiro(s) ST - trilho dos moinhos, só para nós, a dúvida era qual o melhor esquerda ou direita? Pedro S. e Carlos Pereira optaram pela direita e os restantes embarcaram no carrocel da esquerda numa sequência de curvas apertadas entre troncos culminando na travessia de uma das famosas pontes. Tão depressa começou como acabou. Chegados ao fim reunião de grupo para decidir quem fez a melhor opção, a decisão foi unânime “O meu trilho era melhor que o teu”.

                                                             ST Brian + ST Vale Perdido

Depois de aberto o apetite era tempo de acalmar o ritmo e desfrutar da festa tentando não perder a oportunidade de “estrear” os restantes ST, em catadupa o ST Brian e ST Vale Perdido. A festa parecia ainda estar a acordar, julgando pelo espanto dos “batedores” ou do fotógrafo sonolento acordado pela poeira que íamos deixando no chão. Depois de mais um ST lá chegamos ao reforço animado por um rancho folclórico equipado com um sulfatador de atletas. Repostas as energias lá rumamos em busca dos próximos trilhos com o Nagy a combater a sonolência carregando violentamente no cranques e a fugir aos fugitivos.

                                                                           ST Caparos

                                                                       Banda Musica

Antes do famoso trilho dos Gaios, finalmente a festa começava a ser uma realidade. Primeiro fomos brindados pela atuação em plena mata de uma orquestra com uma versão da criatura da noite. Tocavam muito, talvez empolgados pelo que consideram ser o melhor público que tinham tido até então.
Uma hora e meia depois a fuga terminava e eramos alcançados pelos primeiros atletas que (não se sabe porquê mas desconfia-se) fugiram do controlo anti doping. Para que não restassem dúvidas que o andamento que vínhamos mantendo até ali se devia única e exclusivamente aos mais naturais dos alimentos
 (alguns cedidos pelo Jô na sua banca de produtos naturais á base de… açúcar), paramos voluntariamente no posto de controlo, abdicando de lutar pela inexistente classificação geral e, quem sabe, por um lugar no pódio dos que passam ao lado da verdadeira festa que é a maratona de Tábua. Neste posto estavam destacadas um conjunto de técnicas do centro antidopagem devidamente credenciadas pela organização. Todos passaram nos exames com distinção com exceção de um elemento que face ao desempenho que vinha demostrando, sobretudo nas descidas, teve que realizar uma contra análise que confirmou (mais que uma vez) que estava limpo.

                                                                     ST Vale de Gaios

Depois de tantos elogios a Tábua que fui ouvindo durante as etapas do NGPS, as altas espectativas estavam confirmadas, mas faltava o trilho dos gaios, o mais conhecido, o mais… bem, só descendo se percebe a magia deste ST. Pedro S. foi o primeiro a entrar no trilho (com o excesso de confiança característico de quem tem uma suspensão “nova” de “última” geração com uns estonteantes 15mm de curso) e voou baixinho, arrastando atrás de si o Rocha e o Carlos Pereira que foram passando as pontes, túneis naturais e rios que compõem o trilho debaixo de aplausos e muitas mãos na cabeça de quem assistia à passagem dos bttistas. O resultado desta insanidade temporária foi confirmada no dia seguinte, um dos mais rápidos no trilho.
Depois da extenuante (literalmente) descida dos Gaios chegamos à separação dos trilhos. Era tempo de fazer um check up à condição de cada um e decidir ficar por ali ou continuar para os 78km. Todos decidiram procurar um empeno como deve ser nos km seguintes.

                                                                          ST Pedra da Sé

O percurso levava-nos agora para um ST com vista para o Mondego, onde alguém já teria visto canoístas nudistas com os “cabelos” ao vento. O trânsito nos ST começava a fazer-se sentir à medida que íamos sendo alcançados por atletas mais apressados. Passado este ST era altura de subir e o Nagy volta a evidenciar a boa forma em que se encontra e acelera rumo aos 14 de média.

                                                                         ST "Mondego"

Depois da subida mais um ST que começava com uma sequência tipo iô-iô e que rapidamente nos levou de volta à margem do Mondego onde o pneu da frente do Carlos Pereira opta pelo suicídio, talvez antevendo a recusa de alguns músculos em continuar a desfrutar da festa. O Rocha logo se prontificou a ajudar e depois de ceder as desmontas fez o sacrifício de tirar a roupa e ir procurar remendos no fundo do rio, sem sucesso, apenas peixe e nada de camaras de ar. Avaria resolvida era altura de continuar o caminho onde 1km acima nos aguardavam Nagy e Pedro S. Nesta altura os músculos do Carlos começaram a salivar pelo naco do Tone Moleiro e recusavam pedalar. Decidiu então rumar a Tábua pela estrada levando com ele o Rocha (Ooooh!!!) que, já de banho tomado (no Mondego) foi reservar uma mesa para 12.

                                                                          ST Selva

Faltavam agora 13 km para o trio Nagy, PedroS e Mário. Este último, depois de ouvir a balada dos empenados no ST da selva, avisa que está justo de forças. Quem estava com a corda toda eram Nagy e Pedro S. que encetaram uma saudável competição na procura de mais uns pozinhos na média. Inicialmente o Mário tentou seguir com o duo, mas a oito km do fim, num súbito ataque de saudades dos companheiros que tinham seguido por estrada decide abrir o capô, ligar os 4 piscas e desembraiar até à meta acompanhado pelos dois fugitivos.

Depois do banho o balanço foi feito à mesa do Toino Moleiro. 

sábado, 3 de junho de 2017

3 de Junho 2017 NGPS Valença

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Voltamos ao topo do Minho para ver as novidades que os Amigos da Montanha encontraram lá para os lados de Valença.
Rocha e PedroS encontraram-se com o Mário para participar neste evento. Digo já que o tempo estava ótimo para pedalar e o Rocha desta vez não ia ter desculpa para escapar de fazer o percurso todo.


Ao longo da ciclovia ao lado do Rio Minho fazíamos o aquecimento em direção sul, uns bons 6km ficavam para trás. Assim já podíamos preparar bem os músculos para começar a trepar.
Do km 15 ao km 25 era a nossa primeira meta, a primeira subida, a fazer lembrar os Cumes que os Amigos da Montanha organizam, faltando mais dois cumes de superação. O tipo de piso ia decidir o empeno. Com subida técnica e diversos tipos de piso desde calçada, a calçada desfeita e esburacada, regos, raizeiros e peregrinos em catadupa a descer no caminho português para Santiago de Compostela. Já se via alguns bttistas a arrastar a bike e o Rocha já ia avisando que se fosse sempre assim que procurava a tabuleta VALENÇA, eu ia indicando os km que faltavam para o fim.


Uma boa subida tem que ter uma boa descida para o esforço ser compensado, e serpenteando monte abaixo tivemos o nosso prémio. A descida apaga o esforço da subida, na descida há certos pontos no cérebro que vão desligados e as picadas do mato nas pernas não se sente até começares a subir, ai sentes uma leve comichão e só depois é que o interruptor liga o sinal de dor de diversas picadas em poucos minutos. Entre as minhas pernas e as do Rocha, é ver as que tinham mais pontos vermelhos. Ganhei eu pq tinha as pernas todas de uma cor só. Vermelhas.
Próxima meta (2º cume) km 27 e km 37 mais 10km a subir em direção ao Monte de Faro, estes km foram uma grande parte em alcatrão e paralelo, desinteressantes. Só dá para fazer os km mais rápido e ganhar altitude. Ah o Rocha ia se mantendo, por sorte não viu nenhuma placa a dizer VALENÇA, eu ia dizendo que só faltavam 33km e uma subida.


No alto do Monte de Faro, o Aires dos Alien Team foi-nos dando música da boa nos últimos metros da subida, nada que polua o ambiente. Fizemos a descida juntos e o início da última subida do dia. Fui fazendo um compasso de espera para reagrupar o grupo e o “Alien” desapareceu no seu disco de duas rodas :).
O Rocha ia descobrindo músculos novos e assim estudava anatomia no seu próprio corpo. No meio do monte é difícil descobrir tabuletas com a palavra VALENÇA.
Próxima meta (3º cume) km 40 e km 45 mais 330m+ a subir em direção ao ponto mais alto do percurso com +- 780m. Fomos subindo ao ritmo do Rocha para ele não perder “peças” pelo caminho e nos cruzamentos íamos mantendo o contacto visual para ver se vinha inteiro.
Foi uma subida “boa” de fazer, com a ascensão visual que ganho de altitude te ia fornecendo. Ao longe conseguias ver o rasto dos pneus recortados nos trilhos por onde há poucos minutos havias passado. Os olhos percorrem sempre mais rápido e são sempre os primeiros a chegar. No caso do Rocha o que chegou primeiro ao topo foi o espírito, os olhos só viam chão.
Faltavam 25km praticamente em descida e em descida rápida presumia eu. O Rocha agora podia procurar a tabuleta a dizer VALENÇA que era para ai que íamos. Seguindo o track :).


A primeira parte da descida um pouco técnica, com pedra solta, ia alternando com estradão limpo para centrifugar os músculos ao Rocha. A descida levou-nos a um verdadeiro oásis de nome Castelo das Furnas. Um monte de penedos cercados por uma sebe e lá dentro mesas para se fazer uns piqueniques. O que nesse momento acontecia. Aí foi sofrer a ver pessoal de cerveja na mão a passear a bicha e fazer transpor o cabelo para fora do capacete.


A segunda parte da descida, em calçada portuguesa com uma paisagem de cortar a respiração bem como a média que fazias aproveitando a pendente e foi descer até Boivão.
Mais uma lição de anatomia, o Rocha descobria mais uma bola na zona pélvica, essa bola queria abandonar o corpo foi “boivão” ver a dança na sarjeta a tentar coloca-la no sitio.
Depois de recuperar foi rolar na ciclovia até VALENÇA com Tui na mira. Aí o Rocha estava como novo.
E fez o percurso todo sem cortes. Está em forma. Ou não!!! :)