sábado, 7 de outubro de 2017

7 de Outubro 2017 GPS Epic Oliveira do Hospital


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Dois Kedistas, PedroS e Pedro Faria às 5.25H já estavam a caminho de Oliveira do Hospital.
Ao chegar ao Porto entre ultrapassagens saltou-nos à vista uma roda de bike na mala de um carro com aspeto conhecido “imbestigue-se”. Uma aproximação mais calculada com os olhos no condutor, as suspeitas confirmavam-se, era o Vasco dos Sem Medo BTT. Ia com tal atenção que os nossos gestos não o faziam olhar para o lado, era como se estivesse a descer uma trialeira cheia de pedras que ao desviar o olhar era o mesmo que levantar voo :). Teve que ser à base de tlm para perguntar onde ia ele àquela hora da matina. Ambos na direção de Oliveira do Hospital, dei-lhe a minha roda traseira para ele aproveitar o vento já que não sabia muito bem onde tinha de aterrar em OH.
Chegamos bem cedo a Oliveira do Hospital mas não fomos os únicos, já se via muitos carros com bikes espalhados nos diversos cafés. Chegamos ao secretariado já com filas para levantar o dorsal. Este pessoal levantou-se todo muito cedo…
Prontos para arrancar e fugir ao Miguel/Joel que estavam a chegar, dar algum tempo, preparar o aquecimento para não ter de ir com a língua pendurada perto dos raios da roda da frente para os acompanhar :p
Ao arrancar o bidão salta à vista por não estar lá, ficou no carro. Com o calor que se ia fazer entre os 30ºc/33ºc mais valia fazer os 2km até ao estacionamento, um para baixo e outro para cima. Depois da falsa partida o Miguel já tinha chegado ao secretariado e foi arranjar estacionamento.
Faria, PedroS e Vasco levantaram âncora e zarparam, o Vasco aquece muito rápido e o ritmo é forte para os Kedas, aquecimento é feito com mais calma. (e demora o percurso todo)


Chegávamos a um ponto de interesse, ao lugar Bobadela com vestígios romanos e um Break Coffee oferecido pela organização, mais um pouco de nitro para o Vasco poder levantar asas. Começou aos poucos a desaparecer e pelo km12 um furo na minha roda traseira ajudou ainda mais a sua “fuga” (estava com o relógio controlado). Ainda tentei que o líquido tapasse o furo mas o som contínuo de “trabalhar em seco” … mais vale mudar a câmara-de-ar. Ao ver se tinha algum pico amarrado ao pneu na parte de dentro, apanhei um pequeno susto com a primeira apreciação de tato, não sabia bem o que era mas era bem resistente, confirmei depois que era um prego de tamanho familiar, “quase que vazava o aro”, e o líquido não fez o milagre. Já na parte final da reparação o Miguel/Joel/e amigo chegavam ou apanhavam-nos. Empacotamos as sobras e carrega nos cranques, em direção à aldeia de Avô. 
  
Chegamos a Oliveira do Hospital com uma coluna de fumo no horizonte e a perceção era que estávamos a deslocar-nos para lá e este sem diminuir a intensidade.
A Primeira grande descida do dia, uns 6 km com algum entusiasmo de trilhos, onde os km passavam a correr. A aldeia de Avô já a apontava-mos com o nariz e a descida um pouco técnica não deixava muito para a apreciar em movimento não vá o azar bater à porta.
Esta aldeia é muito fotogénica e de qualquer lado fica bem, as ruelas, os canteiros, as pontes, a praia fluvial, a visita ao seu castelo trepado com a bike às costas. O Faria preferiu começar a peregrinação ao topo do Colcurinho, declinou o convite da organização a visitar o castelo e assim preferiu ver em postais em vez de presenciar. Mas merece uma visita mais cuidada, esta simpática aldeia.
O Faria já levava um bom adianto e os meus companheiros carregam bem nos cranques, já sentia a falta dele ou do ritmo que ele levava. Os 15km a subir para vencer os 1000+ enganavam bem, o gráfico não mostrava algumas descidas e zonas mais planas o que ia aumentando a percentagem de inclinação a vencer. O silêncio era tal, ninguém falava, só a respiração é que fazia barulho ou ia incomodando, ou melhor era bom sinal, estava a respirar. Mas continuava com a cabeça muito perto da roda da frente e a paisagem ficava para quem estava a subir apeado e a respiração mais normalizada. Eu continuava a pedalar só até aquela pedra… só até aquela pedra… mas havia pedras por todo lado umas dez e assim aterrava na aldeia, a das Dez. Para ser sincero não me lembro nada desta aldeia, não tinha muito oxigénio no cérebro e este não registou nada para memória futura. Agrupamos e abastecemos, 5 km de subida ficaram para trás.


Faltavam DezZZZZ este nº implacável, continuávamos na peregrinação ao alto do Colcurinho que ficava a 1200m de altitude, o Miguel /Joel/e amigo, estavam uma pedalada à frente a cada DezZZZZ metros de subida. Nas inclinações mais acentuadas a transmissão muito usada da bike do Faria obrigava-o apear e fazer estas inclinações a ver a paisagem, ou melhor, ver o que podia.
Ao longe o incêndio continuava a lavrar terreno, diziam que era para a Zona da Pampilhosa da Serra, os aviões que o andavam a combater passavam alguns metros abaixo onde nos encontrávamos, dava para ver o piloto. Quase parecia que dávamos incentivo um ao outro. A faltar 1,5km para o topo ufa, ufa, um patamar de descanso, aiiiii, é que sabe bem. Todos iam parando para analisar o resto da subida que faltava, carregar energia, reparar trilho acima a quantidade de BTTistas com a bike ao lado, ver as magníficas montanhas circundantes. Mas lá no topo quase mais 200m+ em cima as vistas seriam sem dúvida mais interessantes. Tinha a certeza que uma parte da subida ia ser feita à mão ou com cordas, o teleférico ainda não tinha chegado. Usando a técnica só até aquela pedra, só até aquela pedra, mas não dá, o melhor é ver as vistas e apanhar rede do satélite que estava a falhar.
No topo já com a respiração normalizada, o Miguel/Joel/e amigo davam as boas vindas, ao que só consegui levantar um pouco a sobrancelha a dizer P”#$ F&%$#” de subida mais o C%”#&%, ou pensei… dassssse 1,40h a subir…


Realmente depois de subir e estar no topo, ainda pensas.... não foi duro, valeu bem a pena, a paisagem de montanha é deslumbrante, mas sim… tou todo F$#&”%.
Descida para Piodão sem trilho interessante, à base de alcatrão e estradão de terra, aqui já pensava nas subidas que fiz para descer de carro… Só ficou interessante quando começo a ver Piodão e o zoom vai aumentando até chegares à selfie.
Mais uma aldeia que todos os portugueses deviam conhecer.


O Faria ao longo do percurso ia dizendo, “tantos km só para fazer o ST de Piodão - Foz D´Égua”. Não conhecia e estava expectante, quando entramos no ST o cansaço desapareceu e a diversão começou, alguns caminheiros no trilho estreito, o lado esquerdo uma ravina sem perceber muito bem a profundidade, zonas sem visibilidade, etc & tal. Estava mesmo a curtir o ziguezaguear forrado com xisto e curvas com receção para não perderes velocidade… foi fantástico. Estou como o Faria tantos km para fazer um ST mas que valeu a pena, ah se valeu. 7 minutos onde só estás tu e o planeta… quando chegamos a Foz D´Égua um conto saltou à infância, os livros fantásticos  com imagens pintadas de um subconsciente existente, palpável, romanceava as pedras de xisto colocadas umas sobre as outras formando obras marcantes em quem tem o privilégio de estar presente ali e fazer parte do nosso ser. Brutal.


No fim da adrenalina, a nostalgia, encontro o Miguel/Joel/e amigo (Hi! Hi! Hi!) parecia-me que o Miguel andou a fazer de pato, ainda se via o cabelo molhado e não, não era do suor.
Já tínhamos comido 48km e o Faria estava satisfeito, não queria/não podia/a bike não queria subir mais 500m+ e cortou por estrada (fuga 2), ainda fui tentado a acelerar para apanhar a roda do Miguel/Joel/e amigo mas a subida não deixou e fui colocando o meu ritmo (ritmo = a respirar, respirar e respirar sem cansar muito os músculos dos pulmões). Mais 7km de alcatrão/estradão a subir, uma horinha, já começava a enjoar de tanto doce/barras que fui comendo até então. E para conseguir comer mais sem vomitar (que já era o inevitável) comecei a misturar com os medronhos que ia encontrando pelo caminho. Já se via muito homem da marreta pelo caminho.


Pensei que ainda tínhamos de subir mais, mas quando a descida começou a parecer que ia continuar, voltei a carregar o estômago bem atoladinho para ter energia nos últimos 15km. E foi descer, descer, descer só olhar para a paisagem e ver ao longe o topo da Serra da Estrela. Mais uma vez a paisagem sobrepunha o trilho… ainda pensei encontrar o Faria na junção da fuga mas os medronhos, o empeno e o ânimo não deixaram, os estradões não me dão vitamina.


Fiquei com a ideia que os últimos 5 km eram a descer/plano e descorei a reserva de água para o final. No percurso ao lado do Rio Alva a água do Camelbak estava pelas pontas mas o bidão ainda tinha água suficiente, culpo o meu cérebro por não me ter aconselhado a encher mais água, com o calor que estava.
Depois de ter passado pela aldeia de S. Sebastião da Feira e começar a subir aquela ranhosa de paralelo à esquerda… DASSSSSSSSS entrei em erupção e a água quase que desapareceu toda. Ai! Ai! Agora é que vão ser elas sem água e ainda faltam tantos km e só vejo monte…
Reduzir os gastos ao mínimo e esperar por uma porta ou janela. Passam três colegas folgados na pedalada por mim e mais à frente param para esperar por outro, que como eu que só lá vai com os vapores. Perguntei amavelmente se por acaso não levavam água a mais, ao que os três gajos porreiros disseram, “ a mais não, mas dou-te metade do que levo” disseram os três. Mas assim vou ficar eu beneficiado, não há problema já está a acabar e tu estás todo fu”#$ pensaram eles. Ainda bem que eles me apanharam… Enquanto agradecia o Miguel/Joel/e amigo passavam por mim quase sem me ver, acho que tb estavam a ficar KO ou então pararam para beber uns copos Ah! Ah! Ah!
Fomos os quatro continuando a pedalar em direção ao sol, é que não parava de subir até à N17. Depois foram uns km a vapor e tirar o ácido lácteo dos músculos.
O Faria ainda encontrou o Vasco na junção na fuga 2.
Na “meta da partida” fomos degustando as iguarias de Oliveira do Hospital, o que saltou ao palato foi uma sopa de castanha fantástica com o sabor e textura de fazer uma viagem só para comer a sopa.

Em rescaldo do passeio: como trilhos, descida para aldeia de Avô, o ST de Piodão Chão d´Égua e subida ao Colcurinho. As aldeias e paisagem serrana. As outras descidas e subidas sem interesse, estradão/alcatrão.

Ps: agradecimento aos três Bttistas que levavam água a mais…

sábado, 9 de setembro de 2017

9 de Setembro 2017 NGPS Benfeita

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NGPS desta vez foi nas asas do açor para o centro, Benfeita era o pouso. Duas horas de viagem acompanhado pelo Miguel Martins…ui… vou ter que dar mais ao canelo com a companhia dele.
Quatro dias antes estava só para a viagem até Benfeita, um encontro de 1º grau na ciclovia com o Miguel enquanto nos cruzávamos no treino, deu para saber que íamos os dois participar no NGPS, mais vale ir a conversar do que a cantar a viagem toda só :). Ficou ali tudo marcado para a saída no sábado de madrugada.
Chegamos a Benfeita pelas 7.30h, no levantamento de dorsal encontro o Tó (de Tábua), o Miguel tb vai encontrando alguém, o relógio vai andando e o arranque em cima da bike deu-se pelas 8.15h.


Já tinha estado na Fraga da Pena há uns 20 anos atrás numa visita a Tábua, mais alguns anos passados noutra visita já de bike, fui conhecendo alguns trilhos até conhecer esta maratona e participar desde 2011, repetindo algumas vezes os trilhos ao longo dos anos.
A Serra do Açor, eu sabia que era por ali que morava, mas nunca tinha batido à porta nem sequer entrado. Por isso a expetativa era grande conhecendo bem os trilhos de Tábua, Benfeita ficava logo ao lado. Os 64km e 2000+ de acumulado, apresentados pela organização era um bom aperitivo para as pernas, mais a informação de alguns ST pelo percurso fora YUPIIIIIIIII.


Começamos a pedalar e aumentei a resolução do GPS para 12m tal era a quantidade cortes e cortinhos, desvios rabiscados por cima de uns curtos muretes. Isto promete…se começa assim… vai ser bom e arrebentar depressa D#$%&. Custou aquecer, ou melhor aquecimento à pressa com picadas curtas mas bastante inclinadas, forçando atenção em alguns taludes acentuados pelo desnível com algumas zonas técnicas espalhas pelos ST nestes primeiros 5/6km.
Uma figueira no trilho! Vamos ver se os figos são bons, fomos provando os figos até onde os braços chegavam e confirmava-se, eram todos saborosos. Mais à frente temos uvas, uma vindima simples, tirar um gaipo e pedalar. Com esta companhia os trilhos ficam sempre mais limpos :), se está no caminho… é para comer :).
No primeiro pico ficavam 20km para trás, descer até à aldeia Pai das Donas (um nome bastante subjetivo) aí descobri que me esqueci de colocar o dorsal. (Isto de dormir pouco…)


O terceiro pico, dos mais altos, ficava ao km 33,  já na Serra do Açor em direção à aldeia Relva Velha com placas repetidas no percurso de indicação Mata da Margaraça, Piodão e outras tais, dava noção ao Miguel que andávamos sempre à roda. Eu não sentia isso mas sentia bem as pernas, mas a companhia dos carvalhos, pinheiros, castanheiros, etc e tal faziam esquecer que estava a subir. Não vi eucaliptos ou não saltaram à vista, o que é sempre bom já que na minha “aldeia” é a base.
A aldeia da Relva Velha tinha uma espetacular janela, uma vista, um miradouro ou simplesmente um banco sobre a Mata da Margaraça. Dá para estar lá algum tempo só para observar.


Chegávamos ao topo do percurso 40km já feitos, e pelo gráfico eram quase 10km sempre a descer o que é bom no comer km.
Começamos por descer em direção a aldeia Moura da Serra, atravessando-a para a bike entrar em mais um ST e apreciar o relevo do terreno, com descidas e subidas “ascendentes” enganando as pernas. Mais à frente uma descida em tipo corta fogo bastante acentuada sem piada nenhuma, só para ganhar velocidade e vencer rapidamente a altitude ganha. (no final ao falar com a organização disseram que andaram a desflorestar aquela zona e não dava para melhor :)


A alegria voltou depois de quase ter feito um birra com a descida enorme em estradão, uma porta para another ST mesmo encostado a Benfeita, com 50km comidos. Este descia, subia, era dura como o xisto que calcávamos, e a noção que tinha era descer 150m para subir 300m. Já começava a sentir o homem da marreta. Os ST quando estou perto de rebentarrrrrrrrrrr ainda dão gozo mas tb dor de pernas.
A zona mais técnica do percurso estava no km 52, passar entre casas, descendo escadas assimétricas num carreiro estreito, com algumas receções fora do trilho com keda a 1.5/2m de altura, como ainda tenho os dentes originais e cu, desci da bike em algumas zonas. No final para acabar uma valente picada, só esperava que a roda traseira resvalasse para ter desculpa para ir ao lado da bike a fazer DH, ou peregrinação, ufa! ufa! ufa!
Mais um ponto turístico a visitar ou rever, Fraga da Pena. Eu e o Miguel tínhamos calções no camelbak para o banho, mas à hora que chegámos com o tempo ventoso, frio e a pouca água na cascata, fez abortar a ideia. Nas mesas fizemos um piquenique com o que levamos para comer e retemperar as forças. Mas o voltar a montar na bike já me doía… a consciência…


Subir até à aldeia de Pardieiros e continuar a subir até Sardal e mais uns ST fantásticos descendentes ou nem por isso, inseridos numa paisagem e relevo assinaláveis onde os travões e o abdominais trabalhavam em sintonia nas curvas. A força muscular estava a desaparecer para ficar só a mecânica, o ultimo ST em descida serpenteado com curvas em graus acentuados que derreteram os meus abdominais todos ficando as ultimas curvas feitas à mão, respirando para pegar na bike. Para finalizar e ver se os bttistas estavam em boa forma, uma passagem estreita encostados ao muro do lado direito, e uma possível keda do lado esquerdo que ia alternado a altura conforme te apetecesse ou acontecesse a tal keda. O oxigénio já não era muito e estava todo F”#$%. Mesmo ao acabar encontramos pessoal de Famalicão, os Floresta BTT, e ainda houve força para pegar na bike e ir visitar a torre da paz.

O percurso foi muito bom com paisagens e flora de encher o olho e as diversas aldeias que visitamos ou passamos ao lado, tipo rosa dos ventos, deram-nos as perspetivas diferentes das mesmas. Numa zona serrana, ver as aldeias colocadas no meio do verde dá uma sensação de paz, não sei se foi por isso que Benfeita tem uma torre de homenagem à paz, mas faz sentido. A quantidade de ST de qualidade e alguns técnicos deixa sempre vontade de ir para trás para os refazer. Uma das caraterísticas deste trilho foi fazer muitos km em encostas dos diversos vales que passamos deixando a vista ao longe poisar. Muito bom!
E a quantidade de estrangeiros que ali se vão encontrando….
Foi muito bom tirando o estradão que falei, mas já foi explicado.
De salientar que deu diversos acumulados que iam de 2000+ a 2700+, a mim deu 2700+ o meu STRAVA tb sentiu as minhas pernas…

sábado, 1 de julho de 2017

1 de Julho 2017 NGPS Palmela


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Na Serra da Arrábida foi colocado o marco NGPS, assim estendeu em km percorridos de carro do meu quintal até Palmela como a maior distância feita para andar de Bike.
Aquando a saída das etapas do NGPS, a de Palmela saltou-me logo à vista, se o percurso fizesse km qb na Serra da Arrábida a minha presença era quase garantida. Conhecendo eu a Serra de carro entre Sesimbra e Setúbal, imaginando os trilhos coloridos com os olhos no mar, Troia, Setúbal, Lisboa e Tejo. Tinha tudo para ser um belo dia de btt.
Saí de véspera para Lisboa para encurtar a viagem e pernoitar em casa de uns amigos no centro, assim ficava a meia hora de Palmela.
A manhã em Lisboa estava ventosa e fria, o relógio marcava 7.10h não trazia mais nada a não ser o jersey, o corta -vento tinha ficado em Famalicão, as indicações do IPMA eram… calor.


Às 7.50h já estava em frente ao secretariado a levantar o dorsal, não havia muitas inscrições, cerca de 80 e a probabilidade de fazer o percurso só eram grandes. Continuava vento e frio…
Arranquei, a visita guiada via GPS em Palmela levou-me a percorrer a parte antiga da cidade, subindo até ao castelo passando pelo jardim do mesmo. A vista era grandiosa e com alcance livre até onde os olhos conseguiam delimitar o horizonte.


Uma longa reta fazia a entrada no trilho deixando 5km já percorridos. Enquanto o sol ia acariciando as costas dando pequenos empurrões, o vento de frente ia dificultando a progressão. Contemplando a paisagem pintada com moinhos virados para a capital, a predominação de tons de sol espalhados na tela iam acordando a minha sombra em cima da bike. O corpo, esse dizia que tinha estado pouco tempo na cama. Ai que sono…  A excitação ia em crescendo e com o aquecimento muscular o frio foi desaparecendo. Mais à frente passava por mim o primeiro colega NGPS, vai bem depressa, deixa-o ir que não tens pernas para o acompanhar. Com subidas, ST e descidas umas perto das outras íamos mantendo o contacto visual um do outro e pelo 15ºkm juntamos o “nosso” esforço pedalando na companhia um do outro.


Uma das características deste desporto é tb teres a hipótese conviver e presenciar vida selvagem no seu estado puro. Depois de te encheres de adrenalina a descer uma zona técnica, deparaste com uma águia no trilho a dar bicadas numa cobra segurando-a com as patas. Com a minha aproximação a águia bate asas tentando levar a cobra nas patas deixando-a cair, esta com algumas bicadas e com aspeto de quem levou uma grande tareia rastejou para onde pôde. Foi das imagens mais impressionantes que vi até hoje em cima de uma bike. Pena não ter conseguido filmar o início… :(


Paramos na Comenda para abastecer água e comer alguma coisa, aí já se via um bom nº de colegas de NGPS, os percursos já estavam juntos e a quantidade de Bttistas a abastecer já era assinalável. Eram 11h e 45km já feitos, a organização já tinha avisado que a parte final ia ser mais dura e para guardar reservas para o fim, o que eu fui fazendo.
Voltamos aos trilhos e logo em ST, ok, era plano mas sempre tem curva contra curva, uma brincadeira ali, uma subida acolá, e para ajudar à festa Bttistas em sentido contrário… e logo nos primeiros metros, um Bttista vindo de frente assustando-nos mutuamente trava mais com o travão da frente e é projetado pelo para-brisas da bike esbardalhando-se no chão. Foi um aviso para ir sempre a berrar ST fora não vá haver mais alguns pelo caminho.


O calor em certos vales já era assinalável, e a brisa fresca da manhã já se sentia falta. No ar o cheiro a madeira conhecida, não a identifiquei logo, mas à frente fui-me apercebendo com o calor as pinhas iam abrindo, deixando a fragância do pinhão no ar.
O sobe e desce continuava, com alguns ST e as tais curtas subidas em agulha vistas no gráfico estava a senti-las agora. Com a falta de vento e o calor a apertar já ia aparecendo alguma fadiga. Há que contrariar, hidratar e comer mais, já faltavam poucos km.


Como o colega Luís era da zona, ia fazendo de guia turístico e de guia de trilhos, já conhecia a maior parte por onde tínhamos passado. Avisava-me que o próximo trilho tinha uma descida bem escavada de regos, o melhor era pela direita para enfrentar a descida. Com a minha aproximação deixou bem claro que toda a zona era de difícil execução e com poucas probabilidades de ser uma descida “limpa”. O aumentar da velocidade vai descontrolando a bike mas… “aterrando” bem na receção entrando de seguida num ST de sobreiros. A sombra já era demasiado agradável para de seguida desaguar numa “planície ascendente” onde a vegetação seca indúsia que os km já estavam a findar.
Umas centenas de metros à frente, encontramos um colega a pedalar combalido depois de ter dado uma keda na zona da descida cheia de regos. Perdeu o controlo da bike e foi cair num buraco no talude. Contando-nos à posterior a dificuldade de sair do buraco tendo ficado 10/15 minutos a tentar voltar ao trilho. Fizemos-lhe uma guarda pretoriana até ao fim, e que fim, em pouco mais de 2km subimos 150m+, até perto da meta. O colega da keda começou apanhar melhor sinal e já se sentia melhor.
Foi um percurso com tudo que o btt pode oferecer, mas uma subida a um topo mais alto para melhor apreciar as vistas era o ideal, não sei se era possível…

Um agradecimento ao Luís Raposeiro pela companhia.

https://www.youtube.com/watch?v=e3VyXmumWRE

https://www.youtube.com/watch?v=rpxkC8X6Gh4