O dia não se ia esperar outra coisa além de chuva e chuva.
Os únicos BTTistas que mantiveram a pedalada em espirito natalício foram Rocha,
Pedro Faria e PedroS que ainda sabem nadar e a pele é impermeável, a bike é de
ferro e não se dissolve.
O Rocha tinha arranjado uma elétrica para outro kedas, mas
nem isso os demoveu de sair da cama. Fui eu montado na elétrica.
Neste dia costumámos sair do concelho e rumar para outras
paragens, mas como o tempo estava fraco e a adesão foi curta andamos no nosso
quintal e fomos até ao Sameiro.
Saímos em formato domingueira, subimos para o monte pela
encosta de São Martinho, Sete Caminhos e Pedreiras. Muitas charcas e as
descidas com as contínuas chuvas iam mudando o piso e escavando mais o terreno
com muitos regos cheios de água, nem conseguíamos ver a profundidade do mesmo.
Todos os trilhos eram novidade.
Chegamos ao Sameiro demos a volta para não arrefecer e
continuar a partir pedra nas subidas e nas descidas, nem dava vontade de comer,
guardávamos para o jantar de Natal.
Com o piso sempre duro ainda apontamos para o Penedo das
Letras, mas a curta bateria da bike que estava montado mandou-me pedalar
sozinho, viramos a cabeça ao prego e acartei os 25kg até casa. Acabamos com
59km com 1600+
À noite no jantar, já estava mais composto e já se viam mais
indivíduos com cara de fome, Carlos Pereira, Tó, Mendes, Locas, Rocha, Pedro
Faria, PedroS e Joel. O Jantar foi na Adega Regional Santa Filomena.
A conversa rodou à volta da loucura e das alucinações de
cada um, e claro com as promessas que um dia andarão outra vez de triciclo. O
que interessa é que nos continuemos a ver e aturar.
Um percurso na terra fria trilhado pela raia fronteiriça.
Arraiamos local na aldeia de Gestosa de Lomba onde ficamos hospedados. Para
fazer as refeições não havia nada, tínhamos de fazer 10km para jantar numa
aldeia vizinha, Vilar da Lomba. Nesta zona as aldeias acabavam todas em Lomba.
Dia 1 de dezembro, sexta-feira
Rocha, Pedro Faria, PedroS e Miguel Martins chegavam na
sexta-feira com jantar marcado no café “Já Está” em Vilar da Lomba, onde fomos
muito bem servidos. Depois lá fomos para a primeira aventura do fim de semana,
descobrir qual a casa onde iriamos ficar, a nossa cicerone não atendia o
telemóvel. Só sabíamos que a lareira estava acesa à nossa chegada e a chave
estava na porta. Tudo bem que a aldeia era pequena, mas não queríamos levar no
corpo se não acertássemos na casa ou sermos atacados por algum canídeo a
proteger a sua propriedade.
Lá andávamos nós a espreitar as casas com uma chave na porta
e com a lareira acesa, foi um misto de caça ao tesouro e um nervoso miudinho do
que nos podia esperar, o que nos podia acontecer depois de meter a mão na
maçaneta da porta, este simples jogo demorou uns 45 minutos a 1 hora com um
frio de partir as orelhas.
Quando acertamos na casa a temperatura mudou para melhor, só
o crepitar da lareira já deixava conforto. Levamos uns “cobertores extras” para
passar a noite.
No rés-do-chão estava-se mesmo bem, mas no piso 1 e
principalmente no piso 2 que eram umas águas furtadas a humidade escorria nas
paredes e os cobertores pareciam que estavam orvalhados. Ia ser uma bela
noiteeee.
Dia 2 de dezembro, sábado
Acordamos cedo para ver o que os trilhos nos iam
proporcionar, 8:30h já pedalávamos para aquecer e as sombras atiravam o
mercúrio do termómetro ainda mais para baixo. Alguns vales ainda dormiam
cobertos de nevoeiro à espera que o sol lhes desse os bons dias.
Os trilhos inverneiros em algumas zonas tornavam-se mais
lentos nos lameiros por onde passávamos.
Os primeiros 15km eram um sobe e desce por trilhos e
estradões passando por algumas aldeias “Lombas”.
Quando chegamos à aldeia de Pinheiro Novo a morfologia do
terreno mudava bastante, era um misto de navegação à vista e olhar para o GPS
pois não se via marcações no chão, não era uma zona muito usada o que me
agradou bastante, natureza em estado puro, e claro mais duro até chegarmos aos
marcos fronteiriços e ao Penedo Pé de Meda. A dureza aumentava com muita pedra
solta até trepar aos 1150m a partir dos 850m tudo muito duro, mas de uma beleza
tal.
Onde havia um trilho a vegetação abraçava-se dando as mãos
dificultando ainda mais a nossa passagem. Foram 10km muito bons, puro btt em
natureza virgem.
Depois de passarmos mais um grande lameiro totalmente
encharcado, e andar a escolher os tufos de terreno ou vegetação mais alta para
colocar os pés, porque era impossível pedalar, voltamos às descidas forradas a
pedras soltas a testar as suspensões e pneus e ver quanto tempo aguentavam o
stresse do material. A fava saiu ao pneu traseiro da bike do Miguel, um rasgo
que obrigou a colocar uma camara de ar.
Continuamos a descer em direção ao Rio Assureira, e a
inclinação cada vez mais acentuada quanto mais perto do rio estávamos. Quando
chegamos à margem, uma grande surpresa. Era demasiada água e esta passava por
cima da represa com uma corrente forte. Analisámos por onde podíamos atravessar
numa zona mais estreita e não havia solução à vista. O Miguel ainda tentou ver
se conseguíamos passar por cima da represa, mas não trazíamos escafandro nem
barbatanas. Abandonamos a ideia e teríamos de subir tudo até encontramos uma
solução para continuar no trilho.
O Miguel experimentava um GPS novo, o Faria pergunta se o
GPS não é dos espertos que tenta encontrar uma ligação mais rápida em vez de
ter de subir tudo. Por sorte a subida foi curtinha e o GPS encontrou uma ponte,
o que foi um grande alivio para as pernas e as baterias.
De volta ao track a subir, já que estávamos num buraco, 6km
com 400m+, o sol esteve fraco e andou deitado o dia todo, estava na hora de
acelerar que os dias eram muito curtos, e os últimos 10km foram feitos em boa
média.
Acabamos com 61km e 2000+
Era chegar a casa, tomar banho e ir fazer os 10km para
jantar. Aqui jantam cedo muito cedo, e o anho já devia estar no forno.
Dia 3 de dezembro, domingo
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Depois de uma noite bem mal dormida vá-se saber bem porquê,
tomamos um bom pequeno almoço para voltar à lida do btt.
6km de aquecimento lento, em banho maria, o apetite ainda
nem sequer tinha aquecido e já estávamos a descer em direção ao Rio Mente amarrados
aos travões para que o vento/frio não nos rache a meio. Quando nos deparamos
com montes de árvores arrancadas pela raiz e outras partidas a meio, andávamos
a fazer salto às arvores com a bike às costas, qual frio qual quê…
Voltávamos a apanhar marcos fronteiriços, tudo corria bem
até a suspensão da bike do Miguel passar de 100mm para 0mm, ficou sem ar. Uma
pura XCO e uma dor de costas de andar tão vergado, nas descidas foi duro, mas
lá conseguia andar, que remédio… foi o fim de semana azarado dele.
Mais uma descida onde as giestas estão a tomar conta do
trilho e as pedras não nos deixam decidir qual a melhor trajetória a seguir. Eu
e o Rocha íamos comentando o tempo que o Miguel devia fazer a descida sem ar na
suspensão… ia ser uma bela descidaaaaa.
Quando a descida terminou mais um problema, mais um rio e um
campo demasiado fofo para andar a procurar uma travessia. Estava à nossa frente
uma ponte de elevado grau técnico e engenharia, o medo é que esta não
aguentasse o nosso peso com a bike às costas. Depois de um rápido teste à
resistência foi fácil para as bikes analógicas, as de “combustão” já deram mais
trabalho.
Com 35km feitos, numa zona rápida de descompressão muscular
apareceu um rabo de uma cabra para escalar, com ela à mão ca P#$% de subida,
aproveitei para aquecer os pés 😏.
Mais uns marcos fronteiriços pró saco e pedalávamos em
Espanha, apanhamos uma cascata (Catarata Cidadella) onde ganhamos tempo a
contemplar a cascata de diversos ângulos e alturas. Seguimos por estrada ao
longo do parque Cidadella com diversos moinhos de água e alguns trilhos. Uma
zona muito bonita recheada de cantares de água por todo lado.
Voltávamos a entrar em Portugal com uma descida muito rápida
a cheirar a casa tal a rapidez que nos afundava monte abaixo, depois foi subir
penosamente até chegar a casa sem antes passar pela aldeia de Passos de Lomba.
Este percurso saiu de uma alucinação do Faria, as cobaias
que se lhe juntaram foram Rocha e PedroS. Eram trilhos para todos estarem de
E-Bikes, o que aconteceu, PedroS levava uma de teste.
Saída do Campo do Gerês em direção à barragem e Vilarinho
das Furnas. Ao chegar lá cortamos à esquerda para seguir na autoestrada da
GR50. Logo a começar na entrada da GR50, uma subida que fiz com a bike à mão
para não gastar bateria, (era para andar todo o dia e não podia sair do eco) o
Rocha usou a mesma tática, era tanta pedra verde… Quando montamos não ficou
mais fácil, sempre a montar e desmontar, o ritmo cardíaco já estava lá no alto,
300m à frente desmonta para descer uma zona como a que subimos inicialmente.
Estava a ser um beeeeelo diaaaa…
Mais 100m e o Rocha deixava a bike na GR50 e corria monte
abaixo depois de ter perdido o controle da bike a tentar não cair.
1,5km a bike já ia às costas, 25kg, navegação à vista é o
que dá… Estava a ser um beeeeelo diaaaa…
Chegávamos à ponte medieval de Quintão com 6,3km em 1:26h…
que média…. Agora era subir até à aldeia de Brufe entre trilhos e alcatrão.
Na aldeia de Cutelo apanhávamos a autoestrada da GR34 em
direção a Germil - Ermida para fazer uma descida orgásmica em calçada. Esta tb com o
musgo do presépio e com água a fazer a descida.
Há uns anos atrás quando a fizemos pela primeira vez um
amigo disse “o prazer de fazer esta descida é saber que nunca mais vou fazer
esta p#$%” outro “Tem efeitos psicóticos na cabeça dos ciclistas” dois km de
puro prazer. Passamos na ponte ribeiro de Carcerelha em direção a aldeia de
Lourido e descemos com a bike à mão em direção ao rio Froufe atravessamos a
ponte e voltamos para trás, as baterias e as pernas estavam a ficar curtas bem como
as horas com sol.
Subíamos a bem subir até Germil por estrada, e aí voltamos a
entrar nos trilhos, voltamos a esfolar o rabo da cabra.
O Rocha ia perdendo sinal de satélite, não o via tão
arrebentado desde que passou para a elétrica.
A subir com a bike à mão eu e Rocha conseguimos cair, mais
que uma vez, estava a ser um beeeeelo diaaa…
Quando fizemos a descida para Cutelo, a trepidação foi
soltando os músculos dos ossos do Rocha e “bastou” uma pequena subida bem
inclinada para se atirar para o chão a gemer de dores, nem se conseguia por a
pé que os músculos voltavam a sair.
Depois de se recompor um pouco o Rocha abandona por estrada
até ao carro. Era sempre a descer em alcatrão. Nós continuamos a partir pedra
pelo monte fora.
Faria e PedroS continuavam nos trilhos exigentes sempre a
olhar para o relógio.
O GPS está a indicar o trilho quase impercetível pela
vegetação, a dificuldade de visualizar o trilho cada vez mais denso e o
afastarmo-nos de zonas povoadas decidimos virar o bico ao prego e começar a apontar
para o carro. Passamos pela aldeia de Cortinhas e Brufe usando a GR50, e com o
sol a ficar sem força para nos aquecer vestimos a roupa toda que tínhamos e
cortamos por estrada até ao carro. Estava mesmo frio e sensação térmica na
descida devia estar nos 0º graus.
A Albergaria Vileira não tinha serviço de pequeno almoço à
hora que nós pretendíamos, sete da matina. O patrão resolveu o assunto e ligou
na véspera para o café madrugador de Vimioso para nos fornecer o pequeno almoço
que ele pagava. E assim foi.
8.00h já pedalávamos pelo trilho que eu e o Rocha não
tivemos “vontade” de fazer no dia anterior. Ficavam agora os 2km feitos. Check!
De Vimioso à aldeia de Carção, 6,5km, o trilho era igual ao
do dia anterior, mas em sentido contrário, a descida de ontem hoje era a subir,
não eram 8:30h o som do metrónomo da subida eram os pingos de suor a bater no
quadro. Ia ser um beeeelo dia…
Em Carção a boia de aviso de falta de água já acendia num
dos tabliers, aproveitou-se para ajustar água até à borda do cantil.
A caminho da Vila de Argozelo, num topo, conseguíamos ver
mais um vale sobre o Rio Maçãs. Uma escarpa aos nossos pés, o rio lá em baixo,
uma azinheira convidava-nos para baixo da sua copa protegendo-nos do sol que já
estava abrasador e assim podermos contemplar as belas paisagens.
Entramos pelo sul de Argozelo, demos uma pequena espreitada
à Vila e seguimos de volta aos trilhos, um pouco de alcatrão a descer 66km/h e
voltar a entrar outra vez no trilho, íamos atirar a bike para mais um buraco, e
não sabíamos ao certo se o buraco iria ter saída.
A ponte dos mineiros sobre o Rio Sabor, era uma ponte de
cordas, e a conservação desta poderia não estar grande coisa e teríamos de
voltar para trás. Felizmente não aconteceu. Dava para atravessar de bike com a
roda da frente levantada e rodando o guiador quando passávamos as cordas que
sustentavam a ponte. Esta ia abanando à passagem. Um a um com a sua bike e não
exceder o peso. Uma bela engenharia.
Já a subida… a paisagem sobre o rio, e os antigos edifícios
destinados à mineração iam-nos distraindo das dores de pernas.
A inclinação já acentuada e a vegetação alta por onde
trilhávamos por falta de uso dificultavam bastante a progressão… não sei se já
falei do calor… mas este vale estava bem quente, até o simples respirar ar
quente não ajudava a subir. 2km e 200m+ no trilho e depois mais alguns em
alcatrão até chegar à aldeia de Coelhoso.
Na aldeia não queria água da fonte, esta já vinha morna.
Entrei num café e tive sorte que apanhei uma garrafa de 1,5l meia congelada que
coube toda dentro do camelbak, com ajuda de uma faca consegui meter metade de
água outra metade de gelo no cantil, o Sr do café encheu com gelo e adicionou
mais água gelada. Que P”#$%v de calor que estava, pelo menos durante uma hora
não ia beber chá quente.
Eram horas de parar e encher bem a barriga para continuarmos
a ser fustigados nos trilhos, não descorando a hidratação, estava difícil era
arranjar uma sombra onde coubéssemos os quatro. Não foi fácil nos primeiros kms,
a barriga mandava parar e não havia sombras. Mas num pequeno carvalho deu para
almoçar todos juntinhos por causa do frio…
A descida até à ponte medieval de Grijó de Parada, foi uma
bela descida por estradão, com algumas lombas onde podíamos fazer o Super
Homem, foram 4km muito rápidos.
Começamos mais uma penitência, 46 minutos para subir 3,2km…
que p”#$% men… cheguei ao topo nem apanhava rede…
O track não entrava na aldeia de Outeiro, os nossos
reservatórios de água estavam muito leves, e lá fomos visitar a aldeia para ver
se encontrávamos um café. Estava difícil encontrar alguém para nos indicar o
que quer que fosse.
Chegava um sujeito de carro e estacionava, abordamos o Sr e
ele indicou-nos ao lado da junta de freguesia que devia estar alguém lá dentro.
E assim foi, encontramos alguns nativos, mas água fresca nada, aproveitamos o
que havia e siga. A cada 20km desapareciam 2,5l de água. Já falei por algum
acaso que estava um c&%$#” de um calor?
O Santuário Do São Bartolomeu fornecia-nos uma bela vista, e
conseguíamos ver os trilhos calcados da manhã o mais perto passava a 300m
Argozelo, agora entravamos pelo norte da aldeia, e mais um
afundanço para ver a Ponte Gótica. A subida deste buraco não foi de ferrar no
avanço da bike e foi gradual, mas os km do dia anterior mais os de hoje já
estavam a pesar e anunciava-se homem da marreta.
58km chegávamos à Aldeia de Pinelo, um tanque com água a
correr… não mostrávamos felicidade por tão grande dádiva, em silencio
banhávamos o corpo, refrescávamos a cabeça, humedecíamos os lábios para depois
tentar o afogamento. Pelos poros da pele já se via que a água já tinha chegado
a todas as extremidades do meu corpo, faltava encher os depósitos. Ansiava por
uma cerveja fresquinha mas não era boa ideia, só quando faltassem menos km.
Trespassamos pelo meio a Aldeia de Vale de Frades e
circundávamos a Aldeia de Serapicos, o trilho entrava na margem Rio Angueira,
muito mais fresco e com sombras, a energia parecia que tinha ressuscitado.
São Joanico era a última aldeia antes de Vimioso, tb tinha
uma ponte, atravessamos para o outro lado para ver as vistas, o track não
passava por lá, foi mesmo atravessar a “ponte é uma passagem, prá outra
margem”.
Um colega bttista passava por nós em cima da ponte, depois
voltava a passar freneticamente, e nós a tirar fotos à ponte, devia estar a
fazer series de 300m.
Avistamos um café e fomos emborcar umas cervejas na
esplanada que estava à sombra.
Um Sr já bebia a sua cerveja com um pires de tremoços,
pedimos a mesma coisa. Mas havia no ar um certo cheiro a merda calcada,
levantei os pés para ver se tinha sido eu que tinha calcado, fui ver os pneus
da bike e nada, pedi aos outros para ver se tinham calcado bosta e nenhum tinha
calcado, começava a desconfiar do sujeito que estava na mesa ao lado,
afastei-me dele e deixei que o Miguel ficasse mais perto a fazer de toldo.
O bttista continuava freneticamente a subir e descer a
ponte.
As cervejas estupidamente fresquinhas lá iam goela abaixo, e
o bttista lá continuava, quando veio o prato dos tremoços o cheiro a merda
acentuou-se, o rasto vinha do dono do tasco, mas quando começamos a comer os
tremoços sem sabor e com um cheiro estranho, é que reparamos que o cheiro a merda
vinha dos tremoços. O outro continuava a fazer series e nós series de cerveja.
Depois das cervejas e das risadas e de me cansar de ver a
fazer series de 300m, arrancamos junto ao Rio Angueira. A parte dura ficou para
o fim, o piso irregular com muita pedra solta e buracos num sobe e desce
constante a romper as pernas que já estavam pouco presas, com a cerveja a bater
no lastro quase até ao esófago. Já estava arrependido de ter bebido as
cervejas.
Ainda faltavam duas picadas de 100m e eu já só pensava em
chegar à piscina da Albergaria.
Os outros três só os vi na última picada já em Vimioso.
81km com 2300m+ claro que o GPS do Faria deu mais e para nós esse é que conta
Vimioso aqui vamos nós. Rocha, Pedro Faria, PedroS e Miguel
Martins partiram para a terra quente com o pretexto de ver pontes e castelos
medievais e ou romanas, e já que lá estávamos… comer bem tb.
Arraiamos espias na Albergaria Vileira. Chegamos cedo e ainda
não havia ninguém na albergaria para nos receber.
Deixamos os carros no parque, saltamos para cima da bike e
começamos a desidratar. Ainda não eram 9:00h já estava muito calor. Julho em
Trás-os-Montes… o bem precioso eram as sombras (raras) e líquidos, bastante,
água muita, qualquer liquido que escorresse, um poste ao alto tb fazia sombra.
Passamos pelas aldeias de Campo de Víboras, Vale de Algoso e
Algoso. Não se via vivalma.
Saímos de Algoso, lá no topo do topo víamos o seu castelo, a
convidar-nos a entrar, a escalar, a usar o teleférico, ou o garibaldo, etc
& tal… tentaríamos a sua conquista aquando da volta a Vimioso, ia ser
bonito só pelo aspeto.
Lá em baixo sobre o rio víamos uma ponte que nos levaria
para o outro lado, um lado mais triste, mais serpenteado, mais inclinado, mais
duro e mais uma grande desidratação.
Descemos por uma calçada medieval em direção à ponte
medieval de Algoso sobre o rio Angueira. Paramos para arquivar memórias futuras
e tentar sentir a frescura da água lá em baixo. O Rocha estava com a vontade
toda de encontrar uma corda para poder ir lá baixo refrescar, mas só tínhamos
feito 20km ainda faltavam muitos trilhos e não podíamos para já estar a perder
tempo. Ficou prometido que ao passar por lá na vinda, ele podia molhar os pés.
Mal largamos a ponte começou a subida até à aldeia de
Valcerto, em 2,1km subimos 230m, simples, as pernas, o coração e os pulmões que
façam o trabalho deles, os olhos… esses… nem conseguiam deitar uma lágrima, não
havia stock.
Os trilhos eram em grande parte feitos por estradões,
estávamos a fazer turismo em btt. Havia zonas que as paisagens nos faziam
lembrar o Alentejo.
Sobreiros e azinheiras escoltavam-nos até à aldeia de S.
Martinho do Peso.
A próxima aldeia, Penas Roias, tinha castelo e barragem daí
uma visita mais demorada. Nesta já se via alguém às janelas a espreitar, quem
de seu perfeito juízo andava na rua com o calor que estava.
O castelo medieval que pertencia à ordem dos templários,
fornecia uma vista circundante e desafogada, com o impacto de se ver a pequena
barragem e o planalto de telhas da aldeia.
Deste ponto (Penas Roias) ficávamos a 2/3km de um trilho que
fizemos em 11-2021, onde fomos visitar um monumento, Monóptero de São Gonçalo
Abandonávamos o alto do castelo para seguir viagem pelas
aldeias de Vilariça e Castanheira, por prados vestidos de flores e voltávamos à
Aldeia de Valcerto. Agora seria a descer… yuipiiiii
Descida rápida com curvas fechadas e logo estávamos sobre a
ponte.
Pronto para começar a subida para o castelo de Algoso e
esperar que o Rocha tivesse Alzheimer e não se lembrasse de ir ao rio molhar os
pés que ainda ficava mais lá em baixo.
A campainha tocou no cérebro do Rocha e lá tivemos de ir
molhar os pés, as, canelas, as coxas, o c#$%&, a barriga, os ombros e já
que está, a cabeça tb. O Faria levou a água até às canelas e está bom. A água
esverdeada e fresca escondia alguns lagostins e o relaxamento não era total,
pois tb se via o castelo lá em cima, muito lá em cima e a subida era em
calçada.
Para ajudar, o Miguel diz que está a ver uma cobra a nadar e
a subir para uma pequena “ilha”, lá fomos nós ver se era verdade ou se era
altura de nos vestir e começar a trepar. Era verdade e lá estava a pequena
cobra a tentar estar sossegada e que ninguém a chateasse, pois tb ela foi para
Trás-os-Montes para estar descansada.
E era altura de ver se o refrescamento do corpo iria trazer
benefícios físicos para fazer a pequena subida. 2km e 250m+ com inclinação a
atingir os 32%. A subida da calçada os analógicos ainda fizeram em cima da
bike, depois quando apanhamos as pendentes mais inclinadas e o piso forrado a
pedras soltas do tamanho de bolas de golfe e ténis, nem pulmões, nem pernas
conseguiam manter-me em cima da bike. Mas foi em cima das sapatilhas que
conquistamos o castelo, deu luta, mas lá conseguimos colocar a nossa bandeira.
Deixamos as bikes, e lá fomos treinar pernas escadas acima até ao topo do castelo, ficamos sem ar ao ver a imponência
paisagística do local.
Voltávamos à aldeia de Algoso, agora já com movimentação de
pessoas, (o percurso passava duas vezes pelo mesmo sítio, 5km para cada lado) e
direcionávamos as bikes para mais um monumento, a ponte Matela, uma ponte de
estilo românico por cima do Rio Maçãs.
Na aldeia de Matela, pedimos água a um Sr. que chegava a
casa, foi muito prestável e deu-nos água fresca. Passamos na aldeia Avinhó, e
Santulhão, nesta paramos num café e emborcamos umas cervejas e uns aperitivos,
75km já tínhamos direito a beber água com cereal, a alma e a boca agradecem,
mas as pernas… essas não, mas temos de agradar ao corpo todo.
A Aldeia de Carção ficava perto de Vimioso, o ânimo volta
para cima e já pensava na degustação do jantar, só nos separava uma ponte… as
pontes… estas são sobre os rios, os rios correm pelos vales, os vales são a
subir ou a descer, dependente de como apontas a roda da frente da bike. Já
sentia o costeletão mais longe.
2.5km a descer para o buraco, a meio paramos para ver o arco
da ponte de um miradouro, continuamos para o tabuleiro até o Faria dar um
saltinho e rebentar o pneu da E-bike, com pneus plus, a camara de ar precisava
de reforço que já se via a borracha a sair pelo rasgo do pneu.
Como não levávamos nada para colocar no pneu, inventamos com
um plástico grosso que estava por ali perto, a reparação demorou bastante, a
subida até Vimioso tb.
3km e 230m+, o Rocha já vomitava btt, estava cheio, queria
pousar a burra, tomar banho e sentar-se à mesa. Aquela ideia sempre a bater-me
a cada pedalada da subida e com o sol já no litoral, cortamos os 2 km por
estrada, já que de manhã voltávamos a passar por lá para fazer o 2º dia. O
Faria e o Miguel foram pelo trilho e ainda chegaram primeiro que nós nos mesmos
2km
87km com 2330m+ e as maiores subidas eram os 250m+ foi um belo
rompe pernas com temperatura media de 36º
Fizemos o Check-in, tomamos um banhinho na piscina, voltamos
ao quarto para nos preparar com o fato de gala (todos rotos do enorme dia que
tivemos), descansamos 5 minutos e descemos para reforçar bem as paredes do
estômago. Muito bem atendidos pelo pessoal e patrão… grande manjar na
albergaria Vileira
O nosso passeio de Reis realiza-se no primeiro domingo a seguir ao dia de Reis. Como no dia 8 estava a chover muito… e há pessoal que se molha quando anda à chuva… e não gosta, optamos para adiar para o dia 15, com sol.
Rocha, PedroS, Rui, e Joel, foram os kedas que se apresentaram nesta nossa tradição.
Como tem vindo sendo habito, o nosso ponto de encontro é na pastelaria/padaria Xilas, pelas 8.30h
O Bolo Rei foi patrocinado pela pastelaria/padaria Xilas, o Vinho do Porto foi patrocinado pelo Rocha e pelo PedroS, ao todo 1.33l de Vinho do Porto para 4. Sede já não passávamos.
O Joel tem faltado aos treinos e por isso os km foram feitos à sua medida.
Mouquim, Lemenhe, Viatodos foram os montes por onde andamos para merecermos comer o bolo rei e saborear o Vinho do Porto.
No topo do Monte da Saia em Fralães, foi o ponto escolhido para o piquenique de Reis, para o Joel foi a parte onde não se ouvia a arfar, só a mastigar. Quando tudo ficou limpo descemos pela pista de enduro cheios de entusiasmo.